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Irmão de Daniel Ortega pede antecipação das eleições na Nicarágua

MANDEL NGAN/Getty

Eleições presidenciais estão agendadas para finais de 2021, mas diversos setores, da Conferência Episcopal à Organização de Estados Americanos, pediram ao Presidente para que antecipe as eleições para março de 2019

O general aposentado do Exército da Nicarágua Humberto Ortega pediu nesta quarta-feira ao irmão e Presidente do país, Daniel Ortega, que antecipe as eleições presidenciais para superar a crise sociopolítica no país, que causou 310 mortes em 75 dias. "Todos os nicaraguenses querem uma solução pacífica para a trágica crise que sofremos, e o Presidente Daniel Ortega, ao antecipar constitucionalmente as eleições presidenciais para o próximo ano diz sim à paz", escreveu o general numa carta ao irmão tornada pública.

As eleições presidenciais estão agendadas para finais de 2021, mas diversos setores, da Conferência Episcopal à Organização de Estados Americanos, pediram ao Presidente para que antecipe as eleições para março de 2019, forma de solucionar a crise, embora Ortega não tenha dado qualquer resposta. Segundo o irmão do Presidente, com um novo Governo a Nicarágua vai "recuperar rapidamente", dando um novo impulso à pequena, média e grande economia, ao investimento estrangeiro e ao turismo.

No início do ano, o Banco Central da Nicarágua estimou o crescimento económico em 4,5%, uma previsão que passou a 1% em junho passado, depois de dois meses e meio de crise.

O general reformado pediu também na carta que os manifestantes terminassem com os bloqueios das estradas e permitissem a livre circulação, ao mesmo tempo que pedia ao Presidente para desativar as forças de segurança ilegais. Na carta, o irmão do governante assinala a existência de "civis armados encapuzados que atiram à queima-roupa e que fazem tipos de controlos só permitidos por lei às autoridades policiais e aos militares".

Apesar da ligação familiar, os dois irmãos nem sempre tiveram boas relações, ainda que nos últimos anos se tenham respeitado. A Comissão Ibero-americana dos Direitos Humanos e o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos responsabilizaram o Governo de Ortega por violações dos direitos humanos, incluindo assassinatos, execuções extrajudiciais, maus tratos e possíveis atos de tortura, além de detenções arbitrárias.

Desde 18 de abril que a Nicarágua atravessa uma sangrenta crise social e política. Os protestos contra Daniel Ortega e a sua mulher e vice-presidente, Rosario Murillo, começaram com as fracassadas reformas da segurança social e converteram-se na exigência da renúncia do Presidente, há 11 anos no poder e com acusações de abuso e de corrupção.