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Escândalos que envolvem Scott Pruitt ameaçam a continuidade na equipa de Donald Trump

Chip Somodevilla/Getty

Diversas investigações têm um fio comum: desde que assumiu funções em 2017, Scott Pruitt parece ter aproveitado a sua função para melhorar o seu nível de vida e o da sua família

A quantidade de escândalos que envolvem o ministro do Ambiente do Governo de Donald Trump, Scott Pruitt, ameaçam a sua continuidade no cargo, que tinha como missão demolir o legado ambiental de Barack Obama, segundo analistas. A agência noticiosa francesa AFP refere numa notícia publicada nesta quarta-feira que "a lista de casos problemáticos apontados a Pruitt, de 50 anos, é demasiado longa para incluir no artigo".

Múltiplos inquéritos foram lançados oficialmente, desde há meses, pelo inspetor-geral da Agência de Proteção do Ambiente (EPA, na sigla em inglês), por dois serviços federais independentes e ainda pela Câmara dos Representantes. Segundo o artigo da AFP, todas estas investigações têm um fio comum: desde que assumiu funções em 2017, Scott Pruitt, antigo procurador-geral do Estado do Oklahoma e amigo assumido da indústria petrolífera, parece ter aproveitado a sua função para melhorar o seu nível de vida e o da sua família, violando várias leis federais e punindo os subordinados que levantem objeções ou que não mostrem a lealdade que ele esperava deles.

Tudo começou por despesas de viagens excessivas, em primeira classe ou em aviões fretados à custa dos contribuintes, ao contrário do que estipulam as regras governamentais. Depois, descobriu-se a quantidade exagerada de guarda-costas que lhe estão afetos, 24 horas sobre 24 horas, mesmo no estrangeiro, por um custo que é praticamente o dobro dos seus antecessores. Pruitt determinou também a instalação de uma cabine telefónica nos seus escritórios de Washington, por 43 mil dólares (37 mil euros), uma soma que foi considerada excessiva.

A AFP adianta que "para as suas despesas pessoais, o homem era mais cuidadoso. Conseguiu assim, através de amigos lobistas, alugar um grande apartamento em Washington, apenas por 50 dólares por noite, quando dormia na capital, um preço que desafia toda a concorrência e que levantou suspeitas de favoritismo". Para estes assuntos pessoais, utilizava alguns membros do seu gabinete como verdadeiros assistentes pessoais, a quem encarregava de lhe encontrarem um apartamento, obterem bilhetes para um jogo ou ajudar a mulher a encontrar emprego, refere a agência.

Esta semana, o antigo diretor-adjunto do gabinete de Pruitt, Kevin Chmielewski, despedido em fevereiro, contou na estação televisiva MSNBC que tinha visto o diretor do gabinete reembolsar 600 dólares a uma jovem colaboradora que tinha pago, com o seu cartão de crédito pessoal, os quartos de hotel para a família de Pruitt durante as festividades da investidura de Trump.

Chmielewski, um leal a Trump, é um dos numerosos lançadores de alertas que denunciam as práticas de Pruitt no congresso, onde numerosos republicanos parecem ter perdido a paciência. Até agora, Trump tem apoiado o seu zeloso ministro, que tem procurado anular tantas regulamentações ambientais quantas pode e foi um dos defensores mais empenhados da retirada dos EUA do Acordo de Paris de combate às alterações climáticas.

Contudo, em 15 de junho, Trump repetiu que Pruitt fazia "um trabalho fantástico", mas (...), relativizou: "Vou ser honesto. Não estou contente com algumas coisas". E na terça-feira, um porta-voz da Casa Branca, Hogan Gidley, afirmou aos jornalistas: "Estamos ao corrente de numerosas informações da imprensa e o Presidente está a considerá-las". Mas, de forma cortante, resumiu: "As informações são perturbadoras".

Esta mudança de vocabulário e o novo tom glacial recordam os prelúdios dos afastamentos de outros ministros de Trump, refere a AFP. Em setembro passado, o Presidente tinha dito que "não estava contente" com o seu ministro da Saúde, Tom Price, depois de múltiplas revelações sobre despesas aéreas e Price demitiu-se minutos depois.

Em março, Hogan Gidley afirmou, a propósito do ministro dos Antigos Combatentes, David Shulkin: "Hoje, ele [Trump] ainda mantém a sua confiança em Shulkin" -- dois dias depois, era demitido. E o afastamento do ministro dos Negócios Estrangeiros, Rex Tillerson, em janeiro, tinha sido antecedido por numerosas provocações e humilhações públicas por parte de Trump.
Hoje é feriado nos EUA e não está prevista qualquer declaração pública de Trump.