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Primeiro vídeo dos jovens presos em gruta na Tailândia mostra-os felizes mas ansiosos por “comida, comida”

As buscas de resgate e salvamento de uma equipa de futebol sub-16 desaparecida numa gruta no norte da Tailândia decorrem desde o dia 23 de junho

Lusa/Pongmanat Tasiri

Não há uma solução menos perigosa para o resgate dos 13 jovens presos há dias numa gruta no norte da Tailândia. Esta terça-feira, a Marinha tailandesa divulgou, através do Facebook, o primeiro vídeo dos rapazes e dos seu treinador de futebol, a salvo mas bastante fracos

Durante dez dias, o mundo susteve a respiração à espera de saber o que teria acontecido aos 12 rapazes desaparecidos, com o seu treinador de futebol, numa gruta da Tailândia. Mas o que parecia ser apenas a esperança num milagre acabou por acontecer: estão todos vivos e já há contacto entre eles e os especialistas que os tentam salvar. Mas agora é preciso outro acontecimento semelhante a um milagre: ou os rapazes e o treinador esperam até ao fim da época de chuvas, prevista para setembro ou outubro, ou aprendem a mergulhar. No entanto, especialistas alertam para o perigo de conduzir mergulhadores inexperientes através dos corredores de águas lamacentas e de visibilidade zero.

As tentativas de bombear água - como já escreveu o Expresso - para se atingirem níveis mais reduzidos não foram bem-sucedidas até agora. A alternativa seria a de esperar que os níveis descessem por si, o que significaria que teriam de ficar na caverna durante, pelo menos, quatro meses e teriam de ser continuamente alimentados e receber assistência.

As primeiras imagens da gruta de Tham Luang Nang Non, no norte da Tailândia, já foram divulgados pelas autoridades e mostram um grupo de jovens aparentemente de boa saúde mas ansiosos por serem resgatados e também por comida. Segundo a BBC, os jovens levavam alguma comida com eles quando decidiram visitar as grutas, mas não a suficiente para os 10 dias em que estiveram presos.

No vídeo divulgado pela Marinha tailandesa, uma das crianças falou em inglês com os dois mergulhadores britânicos, as primeiras pessoas a localizar o grupo: "Estamos muito felizes", disse, confirmando que todos estão bem. Enquanto falava em inglês, o jovem foi muitas vezes interrompido pelos seus colegas que pediam, em tailandês: “comida! comida!”. Um dos mergulhadores informou-os de que estavam há dez dias presos acrescentando: “Vocês são fortes, são muito fortes”.

Um outro rapaz perguntou quando é que seriam libertados. “Não, não é hoje. Há muitas pessoas a chegar para vos salvar agora somos só dois, mas está tudo bem. Vem aí muita, muita gente, somos só os primeiros”, disse um dos mergulhadores.

E terão que ser fortes não só fisicamente - as imagens mostram que eles estão bem mas bastantes magros - como psicologicamente também. Nenhuma das opções a serem estudadas para o seu salvamento é ideal e não há certezas de que alguma resulte. Numa conversa ao telefone com a cadeia televisiva britânica “Sky News”, Ben Raymenants, um dos mergulhadores profissionais que está a ajudar as equipas de salvamento, disse que “os miúdos estão muito fracos para tentarem agora mergulhar para se salvarem”.

Apesar de estarem agora com eles dois membros da Marinha, que estão a prestar ajuda médica, levaram alimentos e já se voluntariaram para permanecer com o grupo durante o tempo que for necessário, “eles estão neste momento a sofrer de atrofia muscular, mal se conseguem manter de pé e precisam de tempo para recuperar forças”.

Explorador de grutas além de mergulhador, Raymenants não parece muito confiante na hipótese do salvamento através do mergulho. “É um sistema de cavernas incrivelmente complexo, um dos mais longos da Tailândia e um dos mais confusos que já explorei”, disse à “Sky News”, acrescentando que o caminho para fora da gruta “são pelo menos 2,5 quilómetros a nadar, e nenhum deles sabe nadar, sendo possível que entrem em pânico”.

O grupo teria ido visitar as grutas como parte de um ritual de iniciação que pressuponha caminhar até ao fim do complexo, escrever o nome numa das paredes e regressar, segundo o que foi sendo divulgado pelas autoridades. Mas uma subida súbita do nível das águas, devido às fortes chuvas que caem atualmente sobre o norte da Tailândia, “trancou-os” no interior.

O governo tailandês divulgou, entretanto, um comunicado em que apela à população para que não exponha os jovens nas redes sociais. Tirapon Tungchittipon, médico do Instituto de Pediatria Queen Sirikit, disse que “deve evitar-se a publicação de imagens do acidente para evitar repercussões psicológicas futuras”.

As autoridades parecem, por agora, ter dado prioridade à extração de água da gruta para que os jovens sejam mais diretamente acessíveis às equipas de salvamento.