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Continua impasse sobre nomeação de 11 membros para o Governo de Timor-Leste

VALENTINO DARIEL SOUSA / Getty Images

O primeiro-ministro, Francisco Guterres Lu-Olo, admite que o atraso na tomada de posse dos 11 membros - incluindo elementos-chave da equipa - está “de certa forma a afetar o executivo”

O primeiro-ministro timorense disse esta terça-feira que, apesar do diálogo com o Presidente, continua a não haver solução para a tomada de posse de 11 membros do executivo, mantendo-se esperançado numa solução em breve.

"Continuamos a falar sobre a lista e ainda não temos solução (...). Continuamos em diálogo na procura de uma solução definitiva", disse esta terça-feira Taur Matan Ruak depois de uma nova reunião com o Presidente timorense, Francisco Guterres Lu-Olo.
O primeiro-ministro admite que o atraso na tomada de posse dos 11 membros - incluindo elementos-chave da equipa - está "de certa forma a afetar o executivo".

"Quanto mais cedo for a tomada de posse melhor. O Estado está a funcionar com duodécimos e agora já não há dinheiro. Precisamos de programa, orçamento 2018 e 2019, orgânica do Governo. Muito para fazer", disse.

Durante a reunião desta terça-feira, Taur Matan Ruak entregou a Francisco Guterres Lu-Olo um documento aprovado numa reunião do Governo em que foi deferido o pedido de exoneração do brigadeiro-general Filomeno Paixão de Jesus do cargo de vice-chefe do Estado Maior das Forças Armadas, antes de poder ocupar o cargo de ministro da Defesa.

"Entreguei hoje [terça-feira] o documento ao senhor Presidente da República para continuar a avançar neste processo. O Conselho Superior de Defesa e Segurança pode reunir-se e tomar a decisão final para concluir o processo", explicou.

Recorde-se que o VIII Governo começou a trabalhar quando ainda não estava completo e depois do Presidente não ter dado posse a 11 dos 41 membros propostos por Taur Matan Ruak.

Entre os nomes excluídos contam-se elementos centrais dos partidos da AMP e do organigrama do executivo, incluindo o ministro de Estado e Coordenador dos Assuntos Económicos e o ministro das Finanças.

A decisão de Lu-Olo levou Xanana Gusmão, líder da AMP, a informar que não tomava posse como ministro de Estado e Conselheiro do primeiro-ministro, tendo estado também ausente da cerimónia o ministro do Petróleo e Minerais, Alfredo Pires.

Desde então e a par de reuniões formais do Conselho de Ministros, fontes da AMP explicaram que "todos os membros do executivo", tanto os que já tomaram posse como os restantes, têm estado reunidos a preparar o arranque do executivo.

Em entrevista à Lusa na quinta-feira, o Presidente de Timor-Leste insistiu que é essencial que a AMP e, "principalmente, o senhor primeiro-ministro, ponderem a escolha desses elementos".

"Devo dizer muito claramente que dessas pessoas que foram escolhidas para se integrarem no elenco governamental, algumas das pessoas foram já acusadas definitivamente pelos órgãos judiciais", afirmou.

"Simplesmente chamei a atenção ao senhor primeiro-ministro, para ponderar a escolha desses elementos para se integrar no Governo", insistiu.

Admitindo que possa haver um impasse, se os partidos do Governo mantiverem a lista proposta, Lu-Olo recordou "experiências do passado" em que "alguns membros [do Governo] foram acusados definitivamente pelos tribunais e não cooperam, e escudaram-se atrás da imunidade".

"Isso não pode ser. O senhor primeiro-ministro tem que ponderar bem as coisas. Ele disse isso várias vezes: que não aceita pessoas envolvidas com a corrupção para estarem no Governo. Disse isso na altura", afirmou Lu-Olo.