Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Austrália retira benefício fiscal aos pais que não vacinam os filhos

FatCamera/Getty

A ideia é a de fornecer-lhes uma “lembrança constante” de que não estão a cumprir uma obrigação vital de saúde pública

Luís M. Faria

Jornalista

A Austrália vai penalizar os pais que recusam vacinar os seus filhos retirando-lhes um benefício fiscal de cerca de 28 dólares australianos (17,74 euros) todas as duas semanas. A ideia é a de fornecer-lhes uma "lembrança constante" de que estão em falta, explicou Dan Tehan, o ministro dos Serviços Sociais do país.

"A imunização é a forma mais segura de proteger as crianças de doenças evitáveis por meio de vacinas", acrescentou Tehan. "Pais que não imunizam os seus filhos põem-nas em risco, bem como aos filhos dos outros".

Já existia uma medida do mesmo tipo, mas era aplicada ao fim do ano, quando os pais que não vacinavam perdiam 737 dólares (467 euros). Com a nova medida, a soma total é mais ou menos a mesma, mas espera-se maior eficácia na consciencialização do público.

Nem toda a gente aceita. Com a crescente rejeição de crianças não-vacinadas por parte de creches, grupos antivacina queixam-se de discriminação - sobretudo quando a sua posição tem a ver com questões religiosas - e vêm criando redes próprias, servidas por profissionais de saúde que se opõem à vacinação, e combinadas com um sistema de ensino em casa.

Embora exista um consenso científico quanto à importância vital de vacinar as crianças, nem todos os países impõem essa obrigação. A Noza Zelândia, por exemplo, prefere tentar convencer os país, em lugar de os pressionar. "Se o Estado obrigasse uma criança a ser vacinada e ela tivesse uma reação médica significativa e eventualmente morresse em resultado disso, seria um grande fardo que o Estado teria colocado sobre os ombros dos pais", justificou o anterior primeiro-ministro do país em 2015.

Na Austrália como noutros países, só as crianças diagnosticadas como podendo ser negativamente afetadas pelas vacinas, e ainda aquelas que têm imunidades naturais, estão dispensadas de ser vacinadas.