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À procura de culpados para a seca. General iraniano acusa Israel de roubar nuvens e neve

O objetivo seria o de prolongar a grave seca que afeta o país. Não é a primeira vez que surgem essas teorias, mas o chefe dos serviços meteorológicos desmentiu-as

Luís M. Faria

Jornalista

Se há teorias da conspiração sobre tudo, porque não sobre a chuva? Para o general iraniano Gholam Reza Jalali, comandante da defesa passiva iraniana, a grave seca que afeta o país poderá não ser inteiramente obra da natureza. Falando num colóquio sobre proteção das população, ele disse: "A ingerência estrangeira é suspeita de ter tido um papel na mudança de clima. Centros científicos do país fizeram um estudo sobre o tema e o resultado confirma isso"

Concretizando um pouco mais as suas suspeitas, Jalali acrescentou: "Israel e um outro país da região têm equipas conjuntas que trabalham no sentido de fazer com que as nuvens que entram no país sejam incapazes de deitar chuva. Além disso, fazemos face a um fenómeno de roubo de nuvens e de neve". A prova estará no facto de haver neve em altitudes acima de 2.200 metros em países vizinhos, mas não no Irão.

Quem não ficou convencido, nem calado, foi o chefe dos serviços meteorológicos do Irão. Admitindo talvez por cautela que Jalali "provavelmente tem documentos de que não estou consciente", Ahad Vazife disse que, "com base no conhecimento meteorológico, não é possível um país roubar neve ou nuvens". Lembrou igualmente que a longa seca no Irão está longe de ser caso único, afetando muitos outros países. E lamentou que as falsas respostas prejudiquem os esforços para encontrar soluções.

O antigo presidente iraniano, Mahmoud Ahmanidejad, já há anos tinha proposto teorias semelhantes, acusando países europeus de usarem meios técnicos sofisticados para fazer com que as nuvens "despejassem" a sua água fora do Irão.