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Internacional

UE alerta EUA para consequências da aplicação de taxas sobre automóveis

Foto Gonçalo Rosa da Silva

A própria indústria automóvel norte-americana sairá prejudicada, podendo levar a medidas de retaliação em exportações dos Estados Unidos num valor superior a 250 mil milhões de euros, avisa a UE. Os europeus defendem que a aplicação dessas taxas não é justificável e não faz qualquer sentido económico. Na semana passada, Trump ameaçou aplicar uma taxa de 20% sobre todos os carros montados na UE

A União Europeia (UE) avisou os EUA que a imposição de taxas alfandegárias sobre automóveis e peças de carros prejudicaria a própria indústria automóvel norte-americana, podendo levar a medidas de retaliação em exportações dos Estados Unidos num valor superior a 250 mil milhões de euros.

Num documento de 10 páginas, enviado na sexta-feira ao Departamento de Comércio norte-americano e a que a agência Reuters teve acesso, a UE defende que a aplicação dessas taxas não é justificável e não faz qualquer sentido económico.

Sob instruções do Presidente dos EUA, Donald Trump, aquele Departamento iniciou uma investigação em maio por razões de segurança nacional. Trump tem criticado repetidamente a UE, que aplica uma taxa de 10%, em comparação com os 2,5% aplicados aos carros que entram nos Estados Unidos. Na semana passada, Trump disse que o Governo estava a concluir o seu estudo e que os EUA agiriam em breve, tendo ameaçado aplicar uma taxa de 20% sobre todos os carros montados na UE.

Medidas de retaliação podem afetar 19% das exportações norte-americanas

No texto, a UE lembrava que para alguns bens, como camiões, as taxas dos EUA são mais altas, prevenindo que a medida poderia prejudicar a produção automóvel nos Estados Unidos ao impor custos mais elevados aos fabricantes norte-americanos.

Quanto às medidas de retaliação, se estas forem tomadas em linha com a resposta às taxas norte-americanas sobre o aço e o alumínio, mais de 250 mil milhões em exportações dos EUA poderão ser afetados, o que representa 19% das exportações totais.

A UE defende ainda que a ligação entre a indústria automóvel e a segurança nacional, invocada por Trump para pedir a investigação ao Departamento de Comércio, é “fraca”, uma vez que os veículos militares são fabricados por diferentes produtores de nicho.