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Tailândia. Duzentas horas depois, os 12 jovens e o treinador que ficaram isolados numa gruta vão regressar a céu aberto

LILLIAN SUWANRUMPHA/ Getty Images

Nove dias. Mais de duzentas horas. Quase 13 mil minutos. Por todo este tempo 12 crianças e o seu treinador ficaram presos numa gruta no norte da Tailândia. Agora, encontraram-nos. Estão vivos e vão trazê-los de volta

Quando os rapazes não regressaram a casa depois do treino de futebol, uma das mães deu o alerta. Não demorou muito até que à entrada das grutas de Tham Luang, no norte da Tailândia, se encontrassem as bicicletas, as mochilas, as chuteiras e os equipamentos desportivos. A equipa infantil do Moo Pa entrou nas cavernas, mas não saiu. Por nove dias, ninguém soube deles. Desapareceram.

“Quando vi a bicicleta ali parada, as lágrimas simplesmente começaram a cair. Estava desesperado para encontrar o meu filho”. Pinyo Bhodi é pai de Pipat, que ficou preso nas cavernas. Ficou Pipat e também Prajak com mais dez crianças entre os 11 e 16 anos. Estavam apenas acompanhados pelo treinador de 25 anos. Esta segunda-feira, encontraram-nos e vão trazê-los de volta.

Estão todos seguros, mas a nossa missão não está completa. A nossa missão é procurá-los, resgatá-los e trazê-los. Até agora, só os encontramos. A próxima etapa é trazê-los para fora e depois levá-los a casa”, disse Narongsak Osottanakorn, governador da província de Chiang Rai, aos vários órgãos de comunicação social que se concentram na zona das grutas de Tham Luang – não muito longe da fronteira com Laos – para acompanharem as operações de busca e resgate. “Se os médicos garantirem que estão fortes os suficiente fisicamente para serem retirados da gruta, vamos tirá-los. Depois, vamos acompanhá-los até regressarem às aulas.”

Os rapazes sorriem nas fotografias enviadas pela equipa de resgate que agora está com eles. Foram encontrados pelas forças especiais da marinha a cerca de cinco quilómetros da entrada das grutas.

O que aconteceu?

Todos os fins de semana os Moo Pa treinavam. Por vezes, após os jogos, o treinador Ekkapol Janthawong levava-os a passear. Há uns tempos, já haviam estado nas grutas de Tham Luang. No sábado de 23 de junho voltaram. Desta vez andaram até mais longe, foram para uma zona não aconselhada pelas autoridades. Do lado de fora começou a chover, a água entrou e as grutas aos poucos ficaram inundadas. Por onde tinham entrado, já não podiam sair.

Para chegarem onde agora foram encontrados, o grupo teve de passar por vários sinais de aviso. As pessoas são aconselhadas pelas autoridades locais a não entrarem nas grutas durante a época de chuvas, que na Tailândia normalmente começa em julho. Então, porquê eles se aventuraram? Ninguém sabe.

“Estamos na época de chuva, mas a quantidade que tem chovido é muito incomum. Simplesmente não podemos lutar contra a chuva”, explicou há uns dias o governador da região em entrevista à CNN. A água tem sido drenada das cavernas e continuará a sê-lo para que seja possível enviar médicos e enfermeiros até ao local onde o grupo foi encontrado.

As condições metrológicas prejudicaram bastante as operações de salvamento. A água inundou completamente algumas zonas das grutas. As autoridades tailandesas precisaram de pedir ajuda para resgatar a equipa e receberam a colaboração de especialistas norte-americanos, chineses, australianos e britânicos.

Entretanto, no lado de fora, familiares e amigos juntaram-se à espera de saber qualquer detalhe sobre os jovens desaparecidos. Todos os dias, perto da entrada da gruta, os pais rezavam e pediam a uma força maior que lhes trouxesse os filhos. “Peço a Deus, mas no meu coração estou certo que eles vão sobreviver. Eles já tinham estado dentro desta caverna”, dizia um pai, citado pelo “The Guardian”. Dormiram por nove dias ali à entrada em cadeiras de plástico, sempre à espera de uma notícia. Pela décima noite ainda vão ali dormir – se conseguirem – porque tirar dali as crianças vai demorar.

“Meu filho, vem cá para fora. Estou aqui à tua espera”, ouvia-se uma das mães dizer. Já não falta muito para o filho desta mulher e os de todas as outras que ali rezam regressarem a céu aberto.