Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Simone Veil é a última heroína francesa

Emmanuel Macron homenageou, este domingo, a antiga ministra da Saúde francesa e primeira mulher a presidir ao Parlamento Europeu. Simone Veil e o marido - ambos sobreviventes do holocausto nazi - tiveram honras de Estado e repousam no Panteão Nacional francês. A cerimónia solene terminou ao som da Marselhesa, cantada por Barbara Hendricks

Precisamente um ano após a sua morte, Simone Veil entrou, hoje, no Panteão Nacional, em Paris passando, a partir de agora, a integrar a lista dos mais notáveis cidadãos franceses."Com Simone Veil, entram aqui as gerações de mulheres que construíram a França, sem que o país lhes desse o reconhecimento e a liberdade devidos", disse Emmanuel Macron, que presidiu à cerimónia. "Hoje, através dela, será rendida justiça a todas essas mulheres", concluiu.

Simone Veil morreu a 30 de junho de 2017, aos 89 anos e a rapidez com que decorreu o processo de acesso ao Panteão contrasta com o tempo necessário aos 76 outros "grandes homens" que a antecederam na entrada na necrópole do Estado francês. No seu discurso oficial, o presidente francês sublinhou que a decisão de homenagear a política francesa não foi porém só sua, mas "de todos os franceses".

Por volta das 10 e 30 horas locais (menos uma hora em Lisboa) as urnas de Simone e do seu marido Antoine Veil sairam do Memorial à Shoah, em Paris, onde durante dois dias os franceses prestaram homenagem aos dois sobreviventes do holocausto e dos campos de extermínio nazis. O percurso até ao panteão foi feito sobre um longo tapete azul, símbolo da "paz, da concórdia entre os povos e, naturalmente, da Europa", segundo fonte oficial do Eliseu citada pela France Press.

Simone Veil nasceu em Nice, no Sul de France. Durante a ocupação nazi, toda a sua família foi enviada para o campo de extermínio de Auschwitz, onde apenas ela e uma irmã acabariam por sobreviver. Ministra da Saúde, foi responsável pelo primeiro projeto de despenalização da interrupção voluntária da gravidez, em França. Entre 1979 e 1982 foi a primeira mulher a presidir ao Parlamento Europeu. Foi ainda membro do Conselho Constitucional de França, o orgão máximo de fiscalização do cumprimento da lei fundamental no País.

Da lista de notáveis que figuram no Panteão Nacional francês apenas consta um outro casal: os cientistas Pierre e Marie Curie, prémios Nobel e inventores do Raio X.Os escritores Victor Hugo, Emile Zola ou Saint-Exupéry também constam da lista, que inclui ainda Louis Braille, Jean Jacques Rosseau ou o herói da resistência francesa, Jean Moulin e o 'pai' do projeto europeu, Jean Monnet.