Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Pelo menos um morto e 11 feridos em nova vaga de protestos na Nicarágua

Uma pessoa morreu e 11 ficaram feridas ontem, num protesto em Manágua, capital de Nicarágua, em dia de manifestações em todo o país, disse um responsável de uma ONG de Nicarágua à televisão 100%. A vítima, morta a tiro, tinha 23 anos.

Homens armados dispararam sobre um grupo de manifestantes na zona sudoeste da capital, Manágua, ocupada por um grupo paramilitar, disse à agência noticiosa France Presse uma responsável da ONG Centro nicaraguense dos direitos humanos (Cenidh), Vilma Nunez.

Milhares de pessoas manifestaram-se na Nicarágua para exigir a demissão do Presidente Daniel Ortega e pedir justiça, na sequência da morte de 20 menores entre as 220 vítimas da repressão à vaga de contestação.

Manifestações decorreram também em Leon (norte) e em Masaya (sul), convocadas pela Aliança cidadão para a justiça e a democracia, que integra estudantes, empresários e representantes da sociedade civil.

A "marcha das flores" é a primeira manifestação de massas desde 30 de maio, quando as forças de segurança mataram 18 pessoas que participavam num protesto, em solidariedade com os pais das crianças e adolescentes mortos nos protestos, e que terminou com violência e um balanço de 18 vítimas.

A Nicarágua é palco desde 18 de abril de uma vaga de protestos sem precedentes nas últimas décadas, com os manifestantes a exigirem a demissão do Presidente Daniel Ortega, de 72 anos, e da mulher e vice-Presidente Rosario Murillo.

O país está mergulhado numa espiral de violência, com um aumento dos confrontos nas ruas entre milícias paramilitares e opositotrs do regime de Ortega. Este antigo guerrilheiro de esquerda, que em 1979 derrubou a ditatura de Anastasio Somoza, dirige a Nicarágua desde 2007, após uma primeira passagem pelo poder entre 1979 e 1990.

O diálogo entre o Governo e a Aliança cidadã para a justiça e a democracia, com a mediação da Igreja católica, foi retomado na segunda-feira, mas continua bloqueado.

Ortega, cujo terceiro mandato consecutivo termina em janeiro de 2022, recusou antecipar para 2019 as eleições presidenciais de 2021.

As autoridades denunciaram as manifestações e a exigência da demissão de Ortega como uma "tentativa de golpe de Estado" apoiada pelos Estados Unidos.

Lusa