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Matteo Salvini quer liga de extrema-direita à escala europeia e não esquece Portugal

PAOLO MAGNI

No encontro anual do partido, o líder da extrema-direita italiana definiu como objetivo para o próximo ano a criação de uma Liga nacionalista europeia. O vice-primeiro-ministro e ministro da Administração Interna diz que a vitória em Itália foi "só o princípio" e afirma que "só se as ideias da Liga chegarem a França, Alemanha, Espanha, Polónia, Áustria, Hungria, Dinamarca ou Portugal esta Europa terá a esperança de existir"

O líder do partido nacionalista de extrema-direita Liga e número dois do governo italiano — é vice-primeiro-ministro e ministro da Administração Interna — , afirmou este sábado em Pontida, no norte de Itália, que quer criar uma Liga nacionalista europeia em 2019, depois de ter alcançado o objetivo de integrar o governo em Itália. No seu discurso, perante milhares de apoiantes, Matteo Salvini festejou os resultados do partido (obteve mais de 17% dos votos nas eleições de março e foi chamado a formar um governo de coligação com o populista Movimento 5 Estrelas), mas disse recusar "conformismos".

Para Salvini, "o objetivo é mudar a Europa" e "dar voz" a todos quantos estão dececionados com as políticas europeias. "Penso numa Liga de Ligas na Europa, que una todos os movimentos livres, orgulhosos e soberanos que querem defender a sua população, as suas fronteiras, as suas fábricas e o bem-estar dos seus filhos", disse, à frente de um cenário onde se lia o lema do partido para as últimas eleições, "Os Italianos Primeiro". "Só se as ideias da Liga chegarem a França, Alemanha, Espanha, Polónia, Áustria, Hungria, Dinamarca ou Portugal esta Europa terá a esperança de existir", afirmou.

Salvini prosseguiu afirmando que a vitória em Itália foi "só o princípio" de uma corrida que pretende levar a um "nível continental" a partir de 2019, quando se realizam eleições para o Parlamento Europeu. Essas eleições, prometeu, serão um "referendo à elite, aos bancos, ao mundo da finança, à imigração e à segurança no emprego". O "próximo muro" a cair será "o de Bruxelas", uma "grande batalha" que exige "coragem" e não será "fácil nem rápida", disse, citado por agências internacionais.

A Liga, que chegou ao governo com 17% dos votos em março, é creditada atualmente pelas sondagens com 31,2% das intenções de voto, o que faz do partido o maior de Itália. Por outro lado, numa sondagem recente, realizada em meados de junho pelo instituto Ipsos, 59% dos italianos afirmaram apoiar a política de imigração de Salvini.