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ONU condena “uso excessivo de força” de Israel contra Gaza. António Guterres é chamado a agir

Os representantes permanentes da Liga Árabe vão discutir a transferência da embaixada norte-americana para Jerusalém, indicou um responsável da organização pan-árabe. A reunião irá realizar-se "a pedido do Estado da Palestina" para discutir "os meios para fazer face à decisão ilegal dos Estados Unidos", anunciou esta segunda-feira o secretário-geral adjunto para os Negócios Estrangeiros da Liga Árabe, Saïd Abou Ali

MAHMUD HAMS

A ONU aprovou na quarta-feira uma resolução que condena duramente a “violência excessiva” de Israel contra a população palestiniana de Gaza que durante dois meses se manifestou contra aquilo que considera ser a ocupação ilegal das suas terras há mais de 70 anos. Os Estados Unidos votaram contra e tentaram incluir uma emenda onde ficasse explícita a condenação da violência do Hamas mas não conseguiram os 2/3 necessários à sua inclusão. António Guterres é chamado a agir

Ana França

Ana França

Jornalista

Uma forte maioria de 120 países aprovou na quarta-feira, na ONU, um voto que condena "a violência excessiva" utilizada por Israel para controlar os manifestantes palestinianos que durante mais de dois mês realizaram protestos perto da fronteira entre Gaza e Israel contra o que consideram ser a ocupação ilegal das suas terras. A resolução aponta duras críticas ao "uso desproporcional e indiscriminado" de força contra os palestinianos e pede medidas que protejam as pessoas que vivem em Gaza, uma das zonas mais densamente povoadas do mundo, onde os recursos escasseiam e as fronteiras estão quase sempre fechadas impedindo muitos milhares de pessoas de aceder, por exemplo, a tratamentos médicos apenas disponíveis em Israel.

Os Estados Unidos colocaram-se do outro lado da barricada, votando contra a resolução, e tentaram convencer a Assembleia Geral de que também o Hamas era parte do problema, já que é esta força, considerada terrorista por vários países do mundo, que domina a Faixa de Gaza. O lançamento de morteiros contra Israel é uma prática comum do grupo que não reconhece sequer a existência de Israel como país.

Os ataques do exército israelita mataram pelo menos 120 palestinianos desde a realização da "Marcha do Retorno", um protesto pelo "regresso" às terras ocupadas por Israel há 70 anos. Ao lado dos Estados Unidos votaram contra a resolução países como a Austrália, Micronésia e Ilhas Marshall.

O documento aprovado pede ao secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, que volte à Assembleia, daqui a dois meses, com "propostas para garantir a segurança, a proteção e o bem-estar da população palestiniana em Gaza que se encontra sob ocupação israelita incluindo recomendações para um mecanismo de proteção organizado pela comunidade internacional".

Mas Nikky Halley, embaixadora dos Estados Unidos na ONU, fez questão de frisar que os ataques a Israel têm que continuar a ser condenados - os do Hamas e os políticos igualmente. "Para alguns, atacar Israel é o seu desporto político preferido e é por isso que hoje estamos aqui", disse a representante à Assembleia veiculando a ideia muitas vezes defendida pelo seu país de que o apoio à causa palestiniana é uma manobra puramente política dos países de maioria arábe representados na ONU. Uma emenda que visava incluir na resolução a condenação do Hamas por "incitação à violência" acabou por falhar a marca dos dois terços de votos, o mínimo necessário para ser incluída na versão final.

Entretanto, a Human Rights Watch disse que alguns dos crimes de Israel podem "configurar crimes de guerra". A "utilização de força letal por parte de Israel quando não existia um perigo imediato para a vida de nenhum israelita provocou um forte abalo nas pessoas de Gaza", disse a diretora para o Médio Oriente da HRW, Sarah Leah Whitson. "A comunidade internacional precisa de rasgar as regras antigas que permitem a Israel conduzir investigações em nome próprio que acabam por branquear a sua conduta e a conduta das suas tropas. E os Estados Unidos depois bloqueiam qualquer possibilidade de ação ao usarem o veto no Conselho de Segurança, impondo custos reais nas vidas dos palestinianos e uma total negligência por elas", disse ainda a responsável, citada pela Al Jazeera.