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Internacional

EUA/Coreia do Norte: Japão espera que Pyongyang seja responsável

TORU YAMANAKA

Primeiro-ministro japonês acredita que o encontro irá por fim ao desenvolvimento nuclear e de mísseis de Pyongyang. Abe espera que a “Coreia do Norte se comporte como um país responsável na comunidade internacional”

O Governo japonês expressou esta terça-feira o desejo de que a Coreia do Norte "se comporte como um país responsável" após a cimeira de Singapura em que acordou com os Estados Unidos trabalhar para a total desnuclearização.

"Esperamos que a Coreia do Norte se comporte como um país responsável na comunidade internacional" a partir de agora, disse o porta-voz do executivo japonês numa conferência de imprensa no final das mais de quatro horas de reuniões entre o presidente dos Estados Unidos da América (EUA), Donald Trump, e o líder norte-coreano, Kim Jong-un.

O responsável escusou-se a avaliar o resultado da cimeira de esta terça-feira até Trump telefonar ao primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, nas próximas horas para o informar, mas enfatizou "a liderança e o esforço do presidente Trump para tornar realidade [a reunião]".

Enquanto Trump e Kim estavam envolvidos na cimeira, Abe disse ter esperança de que o encontro ponha fim ao desenvolvimento nuclear e de mísseis de Pyongyang.

A Coreia do Norte "tem recursos abundantes [naturais] e uma força de trabalho diligente e terá um futuro brilhante se seguir o caminho certo", disse Abe em declarações à agência de notícias local Kyodo, em Tóquio, após uma reunião com o seu colega malaio, Mahathir Mohamad.

O chefe da diplomacia japonês, Taro Kono, recebeu um telefonema logo após o encontro com o seu colega norte-americano, o secretário de Estado Mike Pompeo, uma conversa cujo conteúdo não foi divulgado.

Horas antes, Kono foi cauteloso sobre a cimeira e disse que "o foco deve ser se a Coreia do Norte mostrará o seu claro compromisso de fazer esforços para abandonar todas as armas de destruição em massa e mísseis de todos os níveis".

Taro Kono viajará entre os dias 13 e 14 de junho para Seul para se reunir com Pompeo e com a chefe da diplomacia sul-coreana, Kang Kyung-wha.

Por seu lado, o ministro da Defesa do Japão, Itsunori Onodera, afirmou: "Mesmo que uma certa promessa seja feita na cúpula, devemos ter cuidado para não baixar a guarda até que possamos confirmar que medidas específicas foram tomadas" para cumpri-la.

Tóquio tem sido muito cética sobre o diálogo com Pyongyang e é a favor de manter a política de "pressão máxima" sobre o regime, embora Trump, o principal arquiteto dessa estratégia, tenha baixado o tom quando a cimeira se aproximou.

No texto conjunto assinado na cimeira de Singapura, o líder norte-coreano reafirma o compromisso de "desnuclearização completa da Península da Coreia".

De acordo com a agência France Presse (AFP), que fotografou o documento na cerimónia de assinatura, o texto não menciona a exigência norte-americana pré-cimeira de "desnuclearização completa e irreversível" -- a fórmula que significa o abandono completo do armamento e a aceitação de missões de inspeção --, mas reafirma o compromisso anterior, mais vago.

Por outro lado, no mesmo texto, de acordo com a AFP, os Estados Unidos "garantem a segurança da Coreia do Norte".

"O Presidente Trump compromete-se a fornecer as garantias de segurança" à Coreia do Norte, indica a primeira informação sobre o documento conjunto.