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Internacional

Novos casos de “ataques sónicos” entre diplomatas dos EUA na China

Depois de um primeiro incidente registado em Cuba, em 2016, e de um caso recente ocorrido em Guangzhou, o Departamento de Estado norte-americano retirou do seu consulado na China “uns quantos” funcionários, para avaliar o que está na origem dos sintomas neurológicos que apresentam

O Departamento de Estado norte-americano comunicou, na quarta-feira, ter retirado do seu consulado em Guangzhou, na China, “uns quantos” funcionários - diplomatas e seus familiares - para “avaliar melhor e de forma mais abrangente os sintomas” de que se queixavam. Os trabalhadores em causa regressaram aos Estados Unidos e, à semelhança do ocorrido no mês passado com outro elemento do mesmo corpo diplomático, terão ficado doentes após ouvirem sons estranhos.

Depois de um primeiro caso registado em Cuba, em 2016, e da situação descrita no final de maio, o governo americano teme que um país rival possa estar por trás daquilo que designa como “ataques sónicos”.

Ainda que a porta-voz do Departamento de Estado, Heather Nauert, não tenha avançado números, o “The New York Times” cita fontes oficiais e refere que pelo menos duas pessoas deixaram a China, Mark Lenzi, um oficial de engenharia de segurança, e a sua mulher, que regressaram aos EUA com os dois filhos, depois de o casal começar a sofrer sintomas neurológicos nos últimos meses, consequência dos barulhos ouvidos no apartamento onde moram. O jornal adianta que se trata do mesmo prédio onde residia o diplomata que adoeceu no mês passado.

Já nessa altura, Lenzi alertara para os ruídos e vibrações anormais que ouvia desde abril. Sons que descreveu como “berlindes a rolar num túnel de metal”, o que derivou em dores de cabeça terríveis e insónias constantes, para as quais foi medicado com analgésicos.

No caso de Havana, 24 diplomatas manifestaram sintomas, que incluiam enxaquecas, náuseas e perda de audição. O incidente teve repercussões na relação entre Cuba e os Estados Unidos, que decidiram reduzir o número de elementos na ambaixada e expulsaram do território americano 15 diplomatas cubanos.

Continua, para já, a ser um mistério. Uma equipa de especialistas foi enviada para a China, a fim de investigar possíveis ligações entre ambos os relatos, mas os EUA admitem agora estarem perante um conjunto de ataques envolvendo mais do que um país.

Outras hipóteses têm sido adiantadas, nomeadamente a possibilidade de os sintomas serem causados por toxinas ou, mesmo, tratar-se de um fenómeno de histeria coletiva.