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Como Morgan Freeman foi apanhado por assediar a mulher errada (para ele)

Morgan Freeman

Daniel Deme/EPA

Investigação jornalística não partiu de um telefonema, de um e-mail ou de uma conversa com uma fonte mas de uma repórter da CNN que terá sido alvo de assédio do ator norte-americano numa entrevista

Hugo Franco

Hugo Franco

Jornalista

Chloe Melas. Este é o nome da repórter da CNN que investigou Morgan Freeman nos últimos seis meses. Tal como revela o "The New York Times", a primeira pista sobre o comportamento menos correto do ator norte-americano não partiu de um telefonema, de um e-mail ou de uma conversa com uma fonte, como geralmente acontece num furo jornalístico.

Neste caso, foi própria jornalista a ser alvo de assédio de Morgan Freeman, na altura da promoção do fime “Going in Style,” em que Freeman contracena com Michael Caine e Alan Arkin.

Chloe Melas, grávida do filho Leo na altura em que entrevistou o ator, foi alvo de olhares e comentários que considerou inapropriados. Um deles foi captado pela câmara que gravava a entrevista.

Quando chegou à redação fez queixa na CNN, que informou a Warner Bros., estúdio que produziu e promoveu o filme. Tanto a CNN como a Warner Bros. pertencem ao mesmo grupo, a Time Warner.

Mas nem isso ajudou Chloe Melas. Para os executivos da Time warner aquele comentário capturado em vídeo ("I wish I was there", algo como "Quem me dera estar lá"), não provava nada. Além disso, não havia mais testemunhas a comprovar as insinuações sexuais do actor.

Inconformada, Melas, jornalista de 31 anos especializada na área do entretenimento, começou a investigar os rumores de mulheres que alegavam ter sido vítimas de assédio do ator. Quando regressou da licença de maternidade conseguiu descobrir alguns casos e juntou os testemunhos de alegadas vítimas.

A cadeia de televisão avançou com a reportagem na última quinta-feira. Várias mulheres acusaram Morgan Freman de assédio sexual e comportamento abusivo, como o de levantar a saia ou tocar nas vítimas contra a sua vontade. Quase sempre acompanhadas de frases lascivas ou trocadilhos de cariz sexual.

Depois da reportagem da CNN, Morgan Freeman pediu publicamente desculpa a todas as pessoas que se tenham sentido "desconfortáveis e desrespeitadas", garantindo que não era a sua intenção. Num segundo comunicado divulgado esta sexta-feira, o ator acrescentou que o seu comportamento foi desenvolvido pelo ambiente "tóxico" que rodeia as empresas de produção cinematográfica.