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Internacional

ONU pede à comissão eleitoral do Iraque para investigar alegações de fraude

Membro das forças de segurança iraquianas em Mosul, no Iraque

FOTO AHMAD AL-RUBAYE/AFP/GETTY IMAGES

O representante das Nações Unidas para o Iraque, Jan Kubis, pediu esta quinta-feira ao país que investigue as alegadas suspeitas de fraude eleitoral nas eleições legislativas da semana passada. Seis partidos curdos pediram a anulação do voto e sua repetição em zonas de maioria curda, como é o caso da cidade de Kirkuk

O representante das Nações Unidas para o Iraque, Jan Kubis, pediu às autoridades eleitorais do país para investigarem as alegações feitas por alguns partidos de manipulação de resultados das legislativas da semana passada. Num comunicado, Kubis insta a comissão eleitoral a investigar os casos rapidamente e caso seja necessário a fazer uma recontagem manual em algumas localidades, sobretudo na província de Kirkuk (norte), onde se registaram queixas. Uma eventual recontagem deve ser realizada "com total transparência" e perante observadores, para reforçar a confiança no processo, defendeu, adiantando que a ONU se disponibilizou para dar assistência se o Iraque o desejar. Kubis apelou ainda a todos os atores políticos para manterem a paz e comprometerem-se a resolver as disputas eleitorais através dos canais legais. Seis partidos curdos pediram a anulação dos resultados e a repetição do escrutínio na região e em zonas disputadas entre o governo curdo e Bagdad, como é o caso da província de Kirkuk.

Nesta província, onde vivem curdos, árabes e turcomanos, a União Patriótica do Curdistão foi a força mais votada, segundo os resultados parciais. Quase 24,5 milhões de iraquianos foram chamados às urnas para escolher os seus 329 deputados no sábado, numas eleições em que foi utilizado pela primeira vez o sistema de votação eletrónica e que registaram uma taxa de participação de 44,52%.
A comissão eleitoral divulgou até agora apenas os dados da votação em cada província, sem um cálculo da repartição de lugares no parlamento. De acordo com os dados parciais, a aliança inédita entre o líder religioso xiita Moqtada Sadr e os comunistas, a Marcha pelas Reformas, assente num programa de Governo anticorrupção, foi a mais votada. A coligação Al-Nasr (A Vitória), liderada pelo primeiro-ministro iraquiano, Haidar Al-Abadi, era a favorita. A Aliança da Conquista, uma lista de antigos combatentes das milícias xiitas Hachd al-Chaabi, contingente fundamental na vitória contra o grupo 'jihadista' Estado Islâmico (EI), alcançou a vitória em quatro províncias.