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Turquia expulsa embaixador e cônsul israelitas e Israel responde na mesma moeda

YASIN AKGUL/GETTY

Turquia diz que Israel tem as mãos manchadas de sangue de palestinianos e Israel diz que a Turquia tem sangue curdo nas mãos. Ambos os países recusam-se a receber lições de moral e não estão para meias medidas. Também a Bélgica, Irlanda e África do Sul convocaram já os embaixadores israelitas no seu território para uma reunião

Helena Bento

Helena Bento

Jornalista

Primeiro foi o embaixador de Israel em Ancara e agora foi o cônsul-geral. A ambos os representantes israelitas foi pedido para abandonarem a Turquia, na sequência dos protestos em Gaza que resultaram na morte de mais de 60 palestinianos e milhares de feridos, na segunda-feira.

De acordo com a “Al-Jazeera”, o ministro dos Negócios Estrangeiros turco, Mevlut Cavusoglu, pediu ao cônsul-geral israelita para deixar Istambul “durante algum tempo”. Um dia antes, na terça-feira, o mesmo pedido fora dirigido ao embaixador de Israel em Ancara, Eitan Naveh, no cargo desde dezembro de 2016. Israel não gostou, criticou, considerou que os seus representantes na Turquia receberam um “tratamento impróprio” e convocou tanto o cônsul turco em Jerusalém, Husnu Gurcan Turkoglu (responsável pelas relações com os palestinianos), como o embaixador da Turquia em Televiv para lhes pedir igualmente que deixem o país por tempo indeterminado.

Ancara, à semelhança de muitos outros países, denunciou o uso de força excessiva por parte das forças de segurança israelitas contra os palestinianos que protestaram contra a transferência da embaixada norte-americana para Jerusalém junto à Faixa de Gaza. Na segunda-feira, o Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, considerou inclusive Israel um “Estado de terror” e acusou o país de “genocídio”.

Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro israelita, não se conteve e, em resposta, acusou Erdogan de ser o “principal apoiante do Hamas”, movimento islamita que controla Gaza desde 2007, e disse não ter dúvidas de que o Presidente turco é um “grande especialista em terror e chacina”. “Um homem que mandou milhares de soldados turcos para ocupar o norte do Chipre e para invadir a Síria não tem de nos dar sermões quando aquilo que estamos a fazer é defender-nos do Hamas. Um homem que tem sangue nas mãos de inúmeros curdos, na Turquia e na Síria, é a última pessoa que poderá ensinar-nos alguma coisa sobre a ética de combate”, acrescentou.

Mas a troca de acusações não haveria de ficar por aqui. Erdogan voltou ao Twitter e acusou Netanyahu de promover um “apartheid” e ocupar “terras de pessoas incapazes de se defender há mais de 60 anos, violando assim as resoluções das Nações Unidas”. “Ele [primeiro-ministro israelita] tem o seu sangue dos palestinianos nas mãos e é inútil tentar encobrir isso com ataques à Turquia”.

Entretanto, o Governo belga também já convocou a embaixadora israelita em Bruxelas, Simona Frankel, para uma reunião. Na segunda-feira, e na sequência da morte das dezenas de palestinianos, o primeiro-ministro belga pediu uma investigação aos incidentes na Faixa de Gaza que, disse, estiveram certamente relacionados com a transferência da embaixada dos EUA de Telavive para Jerusalém. Outros países também já convocaram os respetivos embaixadores israelitas para reuniões, entre eles a Irlanda e a África do Sul.