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Quando Trump rouba atenção aos Balcãs e a UE endurece o discurso

reuters

Os chefes de Estado e de Governo europeus estão em Sófia para lembrar aos países dos Balcãs Ocidentais que é na UE e não na Rússia que devem confiar, mas as recentes decisões de Trump roubam as atenções na agenda. Tusk endurece o discurso em relação a Washington.

De Donald para Donald. Tusk deixou hoje um recado a Trump: a União Europeia não vai baixar a cabeça perante as decisões desfavoráveis aos interesses europeus que vêm do outro lado do Atlântico. O presidente norte-americano quer rasgar o Acordo para o Nuclear com o Irão. A UE vai mantê-lo vivo e a funcionar.

"Alguns poderão pensar: com amigos destes, quem precisa de inimigos", atirou o Presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, referindo-se ao que considera ser a nova "assertividade caprichosa da administração norte-americana". E acrescentou com ironia:

"Falando de forma franca, a Europa deveria agradecer ao Presidente Trump. Graças a ele hoje não temos ilusões. Fez-nos perceber que quando precisarmos de uma mão amiga, teremos de contar com a nossa própria mão" - numa tradução livre da expressão usada, que coloca a UE a contar consigo própria e menos com os norte-americanos.

Tusk endurece o discurso em relação à Casa Branca, ao mesmo tempo que apela à unidade dos ainda Vinte e Oito que hoje jantam juntos em Sófia. Um encontro onde deverão reafirmar que enquanto o Irão respeitar a sua parte no acordado em 2015, e se abster de desenvolver armas nucleares, a UE vai manter-se no Acordo.

Mas o recuou de Trump, cria um problema às empresas europeias envolvidas na cooperação com o Irão. Ao repor as sanções a Teerão, Washington ameaça sancionar também os que tiverem negócios com a República Islâmica. Os líderes europeus terão, por isso, de articular uma resposta e uma estratégia que proteja os interesses económicos europeus.

"Não há uma única razão objetiva para a Europa sentir complexos em relação a quem quer que seja", disse Tusk. "Temos a obrigação de erguer a cabeça em relação aos nossos inimigos, mas também perante os nossos amigos".

E a desilusão com os Estados Unidos parece uma bola de neve a aumentar de tamanho. Não é só o desacordo em relação ao Irão, mas também com as divergências comerciais transatlânticas. O Acordo de Comércio que estava a avançar com Obama está em coma desde a chegada de Trump. E o atual presidente dos EUA insiste em manter viva a ameaça de taxas alfandegárias sobre as importações europeias de aço e alumínio. O tema, também vai ser abordado esta noite. A UE quer uma isenção permanente desta medida, mas, para já, só conseguiu uma isenção temporária que termina no final do mês.

Europa quer ligação com os Balcãs, mas sem promessas de alargamento

E com todas as notícias, polémicas e ameaças de Trump, o tema da Cimeira desta quinta-feira é praticamente empurrado para segundo plano. A Bulgária, que tem atualmente a presidência rotativa da União Europeia, organizou uma cimeira para reforçar a ligação com os Balcãs Ocidentais, em particular com a Albânia, Bósnia, Sérvia, Montenegro, Kosovo e Macedónia.

O encontro desta quinta-feira, entre os líderes europeus a os seis líderes destes países, servirá para insistir numa "perspetiva europeia", lembrando-lhes que é no projeto europeu que devem confiar e não em Moscovo. A UE deverá assim renovar o empenho com a transformação política, económica e social da região, mas sem fazer qualquer promessa quanto a futuros alargamentos.

Na Declaração conjunta que será assinada, os líderes europeus vão insistir na criação de uma rede de ligações e oportunidades na região, que aproxime as economias. Ao mesmo tempo, comprometem-se a aumentar de forma significativa a conectividade com os Balcãs, incluindo nos transportes, na energia ou no digital. Em contrapartida, pedem a estes parceiros que mantenham o empenho com as reformas, incluíndo no que respeita ao Estado de direito e ao combate à corrupção.

Esta quinta-feira, só o presidente do Governo espanhol não estará na sala. Espanha não reconhece a independência do Kosovo e, por isso, Mariano Rajoy enviou um representante em seu lugar. Ainda assim, Madrid deverá assinar a declaração conjunta dos Vinte e Oito sobre os Balcãs, por esta não incluir qualquer menção a futuros alargamentos, nem especificar o caso do Kosovo.