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Internacional

Líderes dos 28 lembram a Trump que acordo com o Irão continua vivo

EMMANUEL DUNAND/GETTY

A saída dos EUA do Acordo com o Irão é um dos temas indigestos do jantar desta quarta-feira à noite em Sófia, na Bulgária. Os líderes europeus vão ouvir Merkel, Macron e May e deverão reafirmar que enquanto o Irão respeitar a parte que lhe cabe no acordo, pode contar com a União Europeia

Os líderes europeus bem poderiam querer falar só de digital e de inovação disruptiva, mas Donald Trump não tem facilitado a organização da agenda das reuniões a 28. Primeiro foi a ameaça de taxas sobre as importação europeias de aço e alumínio, depois veio a decisão de retirar os EUA do Acordo com o Irão sobre o nuclear. Dois problemas que os europeus têm para resolver.

"Gostaria que o nosso debate reconfirmasse, sem margem para dúvida, que enquanto o Irão respeitar o que está previsto no acordo, a UE também vai continuar a fazê-lo", adiantou o Presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, na carta enviada hoje aos chefes de estado e de governo. Para já, os europeus não dão mostras de acreditar "nas provas" que Trump diz ter de que o Irão não abandonou o programa de produção de armas nucleares.

No encontro de quarta-feira à noite, na capital búlgara, os líderes vão ouvir o que o presidente francês, Emmanuel Macron, a chanceler alemã, Angela Merkel e, primeira-ministra britânica, Theresa May, têm a dizer sobre o assunto. Os três líderes europeus signatários do Acordo com o Irão vão apresentar uma avaliação da situação, na sequência da retirada dos norte-americanos do entendimento assinado em 2015 - quando Barack Obama era presidente dos EUA - e que permitiu o levantamento gradual de sanções económicas e financeiras a Teerão, a troco do controlo do programa nuclear iraniano.

França, Alemanha e Reino Unido têm estado a trabalhar para garantir que o Acordo, assinado também pela Rússia e China, se mantém de pé, após a decisão unilateral de Trump de se retirar. Em causa estão os interesses das empresas europeias envolvidas na cooperação com o Irão, e que a União Europeia quer ver preservados.

Com a decisão de Donald Trump de repor as sanções sobre a República Islâmica, os líderes europeus estão preocupados com potenciais danos colaterais, que afetem as firmas europeias que estão a desenvolver negócios com o Irão. O próprio conselheiro para a Segurança Nacional dos EUA, John Bolton, já admitiu essa possibilidade, numa entrevista dada no domingo à CNN.

O ministro das Relações Exteriores do Irão, Mohammad Zarif, anda num périplo para que Rússia, UE e China defendam os interesses do Irão. Já esteve em Pequim e Moscovo e esta terça-feira está em Bruxelas, para um encontro com os homólogos francês, alemão e britânico e com a Alta Representante da UE para a política externa, Federica Mogherini.

Taxas de Trump e Violência em Gaza

A incerteza em relação a decisões norte-americanas tende a aumentar, numa altura em que Washington continua a fazer suspense sobre se vai ou não conceder uma isenção permanente à UE, poupando as importações europeias de aço e alumínio da aplicação de taxas aduaneiras.

Até ao final de maio vigora uma isenção temporária, mas os Vinte e Oito deverão recordar a Trump que não aceitam ser alvo de taxas aduaneiras, nem o argumento de que está em causa a segurança nacional (dos EUA). Caso estas avancem, a UE está preparada para retaliar com taxas sobre as importações de vários produtos norte-americanos.

A recente violência na Faixa de Gaza também deverá ser abordada no encontro. Esta segunda-feira, dia em que os Estados-Unidos inauguraram a embaixada norte-americana em Jerusalém, as forças israelitas dispararam sobre os manifestantes da Marcha do Retorno, matando mais de 50. Israel justificou o uso de balas reais com a necessidade de proteger as fronteiras. Vários países, a União Europeia e o Secretário-Geral da ONU, António Guterres, apelaram à contenção do uso da força.

Em Sófia, o jantar de trabalho informal, servirá também para debater a inovação e a economia digital. Será uma discussão "aberta" - não estão previstas conclusões - mas que deverá servir para responder a duas questões. Uma sobre o que deve fazer a UE para apoiar e dar impulso à "inovação disruptiva", e outra sobre como é que o projeto europeu poderá tornar-se "o principal ator" nesta área.

Na quinta-feira, os Vinte e Oito voltam a reunir-se, desta vez com mais seis parceiros dos Balcãs Ocidentais - Albânia, Bósnia, Sérvia, Montenegro, Kosovo e a antiga república jugoslava da Macedónia - para falar do futuro desta região e da relação com a União Europeia.