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Editor do Bangkok Post não quis ser silenciado e “foi forçado a demitir-se”

Ben Horton/Getty Images

Umesh Pandey, editor do jornal em língua inglesa desde 2016, disse que preferia “perder o seu lugar a ter de vergar-se” às ordens dos diretores e foi precisamente isso que aconteceu. O “Bangkok Post” era dos poucos jornais na Tailândia que não se coibia de criticar a junta militar que tomou o poder em 2014

Helena Bento

Helena Bento

Jornalista

Pediram-lhe para que - enquanto editor do jornal tailandês “Bangkok Post” - moderasse o tom das críticas feitas à junta militar que tomou o poder em 2014, mas Umesh Pandey disse que preferia “perder o seu lugar a ter de vergar-se” e foi precisamente isso que aconteceu. A dois meses de terminar o seu contrato, o editor disse ter sido “forçado a demitir-se”.

Num comunicado divulgado na segunda-feira à noite, citado pelo britânico “The Guardian”, Umesh Pandey, editor da publicação em língua inglesa desde 2016, disse que os diretores do jornal entre os quais se encontram figuras influentes e poderosas, com ligações ao Governo tailandês, lhe pediram contenção e moderação nas críticas feitas à junta militar que tomou o poder a partir de um golpe de Estado, evitando tocar em assuntos como a falta de liberdade de expressão no país e os atrasos sucessivos na realização de eleições. Um dos diretores do jornal, Wuttisak Lapcharoensap, foi nomeado ministro da Educação no ano passado.

No meio de tantas tentativas de silenciamento, repressão e detenção de jornalistas, o “Bangkok Post” era dos poucos jornais tailandeses, senão mesmo o único, que não se coibia de criticar o Governo tailandês nas suas páginas. Um editorial publicado a 14 de maio acusava o governo (oficialmente designado de Conselho Nacional para a Paz e Ordem) de censura face à ordem dada à rede televisiva “Peace TV” para suspender as suas operações. Umesh Pandey também escreveu recentemente um editorial particularmente nocivo para o general e primeiro-ministro Prayuth Chan-Ocha.

No comunicado já aqui citado, o editor disse-se orgulhoso do trabalho da sua equipa ao longo dos últimos meses. “Há um movimento cada vez forte de oposição a este governo e qualquer político inteligente ou estratega saberá que é inútil lutar contra esta força. Aconselho o primeiro-ministro e o seu bando de ladrões da democracia a acordarem antes que a situação chegue a um ponto sem retorno”. No relatório da organização não-governamental Freedom House sobre liberdade de imprensa, a Tailândia aparece descrita como um país “não livre”. Vários militares têm, além disso, visitado redações e questionado jornalistas e editores sobre determinadas histórias.

O caso segue-se a outro de contornos ainda mais acentuados, envolvendo a editora da revista de lifestyle “ChiangMai City Life”, que esteve à beira de ser detida depois de a dita publicação ter veiculado uma imagem no Facebook onde se viam três reis tailandeses com máscaras de gás, numa referência aos elevados níveis de poluição na cidade, a segunda maior da Tailândia.

O governador de Chiang Mai acusou Pim Kemasingki, a editora, de ter violado a lei “designada “Computer Crime Act”, criada para garantir “a segurança dos utilizadores da Internet e a sua privacidade” e cujas alterações recentes foram consideradas um atentado à liberdade de expressão e outros direitos fundamentais e criticadas por organizações como a Amnistia Internacional.