Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Cartazes antiaborto estão a chocar Itália

MARCO BERTORELLO/Getty

Uma série de cartazes que apareceram em Roma, capital de Itália, esta semana, mostram a barriga de uma mulher grávida e dizem que o aborto é a principal causa de femicídio em todo o mundo. Associações feministas e líderes políticos pedem que sejam retirados mas os autores da campanha falam em censura e defendem a posição

Os cartazes que estão a chocar Itália mostram a barriga de uma mulher grávida a afirmam: "O aborto é a primeira causa de femicídio no mundo". A mensagem está a ser duramente criticada por grupos de defesa da interrupção voluntária da gravidez em Itália e a própria sociedade civil também não parece contente com o facto de o cartaz comparar o aborto ao assassinato de mulheres. Femicídio é um termo utilizado, normalmente, para os crimes fatais contra mulheres cometidos por homens.

Itália tornou o aborto legal há 40 anos e os cartazes foram colocados por um grupo "pró-vida" com sede em Madrid, o CitizenGo Group, de forma a coincidir com uma "marcha pela vida" marcada para este sábado em Roma. Entre as vozes que se revoltaram contra os cartazes está Francesca Del Bello, líder local do 2º distrito de Roma. "As mensagens dos cartazes são ofensivas para todas as mulheres mas especialmente para aquelas que tiveram experiências complicadas com este procedimento ou sofreram de violência", disse Bello. A senadora Mónica Cirinnà, do Partido Democrata, solicitou "ação imediata das instituições para eliminar imediatamente os cartazes e impedir a propagação de mensagens deste tipo", segundo a cadeira televisiva TG24. A CitizenGo defendeu-se falando de censura e defendendo os seus ideais. O diretor do braço italiano da organização, Filippo Savarese, disse à mesma TG24 que "em anos recentes temos denunciado cada vez mais a violência contra mulheres e o fenómeno do femicídio mas esquecemo-nos de dizer que o aborto é a primeira causa de morte de milhões de mulheres e crianças em todo o mundo", disse Savarese.

A divisão entre quem defende e quem condena o aborto é bastante forte em Itália e esta não é a primeira vez que este tipo de cartazes aparecem nas ruas da capital e noutras cidades italianas. A última polémica aconteceu há menos de um mês, quando uma outra associação "pró-vida" mostrava um feto e, por baixo, a frase: "Só estás aqui porque a tua mãe não fez um aborto".

Em 2016 realizaram-se 84.926 interrupções em Itália, um número 3,1% mais baixo do que em 2015 e tem vindo a decrescer quase todos os anos. Em 1982, o procedimento atingiu o seu pico, com 234.801 intervenções realizadas. Apesar de ser legal até às 12 semanas, ainda há muitos médicos que se recusam a realizar um aborto por "objeção de consciência".