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Internacional

Brexit: Negociador da UE reconhece "poucos" progressos nas negociações

Britânicos pró-UE manifestaram-se frente ao parlamento esta semana

Leon Neal

O principal negociador da União Europeia para o 'Brexit', Michel Barnier, reconheceu esta segunda-feira que foram feitos "poucos progressos" desde que foi alcançado o acordo para o período de transição após a saída do Reino Unido do bloco comunitário

"Diria que foram [registados] poucos, não muito poucos", disse Michel Barnier, principal negociador da União Europeia para o 'Brexit' depois de ser questionado sobre os escassos progressos registados nas negociações desde que, em 19 de março, a União Europeia (UE) e o Governo britânico anunciaram um entendimento sobre "grande parte" do acordo para o 'Brexit', nomeadamente sobre o período de transição.
O negociador comunitário, que intervinha no debate sobre o "Futuro da política externa, de Segurança e Defesa da UE no pós-'Brexit'", em Bruxelas, esclareceu que "os poucos progressos" resultam de um trabalho centrado em aspetos técnicos. "São aspetos importantes, que não podem ser descurados. Os dois pontos de desacordo que ainda permanecem são a governabilidade [do acordo de saída] e a questão da Irlanda do Norte. A única base legal para a transição é o artigo 50, o que significa que se o Reino Unido quer uma transição é preciso haver um acordo para a saída", realçou. Este período de transição, que deverá terminar a 31 de dezembro de 2020, pretende evitar as consequências que acarretaria uma rutura brutal no final de março de 2019, permitindo que o Governo e as empresas britânicas se preparem para um futuro fora do bloco comunitário.

Barnier recordou que faltam duas rondas de negociações até ao Conselho Europeu de junho e reiterou a importância o acordo estar concluído até "outubro ou novembro". "Tenho dito inúmeras vezes que o relógio está a avançar. Quem escolheu a data da saída foi o Reino Unido, não foi uma escolha nossa", reforçou, sublinhando que é preciso "encontrar uma solução operacional para a Irlanda do Norte". O negociador-chefe comunitário lembrou que o Governo britânico tem de assumir "todas as consequências das suas decisões", e frisou que não deverá haver "nenhuma incerteza" quanto à parceria na área da Defesa, pois esta representaria "um estrondoso falhanço" e seria "um erro estratégico" que beneficiaria aqueles que querem "enfraquecer" a UE e Londres. Num debate dedicado, essencialmente, à Defesa e Segurança na UE no pós-'Brexit', a chefe da diplomacia do bloco comunitário, Federica Mogherini, mostrou-se confiante no futuro da relação entre as partes.

"Do nosso lado, e acredito que também do lado do Reino Unido, estamos preparados para trabalhar em conjunto a nível diplomático, no terreno e nas nossas capacidades. Sei que estes objetivos são partilhados. A razão é simples: a segurança do Reino Unido é a nossa segurança, e a nossa segurança é a segurança do Reino Unido. Há laços inquebráveis. Há políticas que mudam, mas algumas realidades não mudam", disse.
A Alta Representante da UE para Política Externa considerou que a parceria futura será "radicalmente diferente", mas "positiva e construtiva".