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Uma das propostas pós-Brexit de Theresa May é “louca”, diz chefe da diplomacia britânica

TOLGA AKMEN/AFP/Getty Images

Em entrevista ao “Daily Mail”, Boris Johnson afirmou que uma “parceria aduaneira” com a União Europeia limitaria a capacidade do Reino Unido de fazer acordos comerciais depois de abandonar o espaço comunitário, além de criar “toda uma nova rede de burocracia”. De visita aos EUA, o governante lembra que um acordo comercial com a América não poderá ser alcançado se o Reino Unido permanecer “na influência lunar de Bruxelas”

O chefe da diplomacia britânica, Boris Johnson, descreveu como “louca” uma das propostas do Governo de Theresa May para um acordo alfandegário pós-Brexit. Em entrevista ao jornal “Daily Mail”, o ministro dos Negócios Estrangeiros afirmou esta segunda-feira que uma “parceria aduaneira” com a União Europeia (UE) limitaria a capacidade do Reino Unido de fazer acordos comerciais depois de abandonar o espaço comunitário.

Essa parceria aduaneira, que está ainda em cima da mesa e a que a primeira-ministra britânica parece ser favorável, criaria “toda uma nova rede de burocracia”, acrescenta Boris Johnson. “Se tivermos uma nova parceria, teremos um sistema louco em que acabaremos a cobrar tarifas em nome da UE na fronteira do Reino Unido. Se a UE decide impor tarifas punitivas sobre algo que o Reino Unido quer trazer a baixo custo, não há nada que possamos fazer”, disse.

Tal situação, continua o governante, significaria que o Reino Unido “não estaria a recuperar a sua política comercial, a sua legislação, o controlo das suas fronteiras nem do seu dinheiro” porque “as tarifas seriam devolvidas a Bruxelas”.

As declarações foram feitas durante uma visita do chefe da diplomacia inglesa aos EUA, lembrando Johnson que um acordo comercial com a América não poderá ser alcançado se o Reino Unido permanecer “na influência lunar de Bruxelas”. Os americanos querem ver “uma Grã-Bretanha confiante, com livre comércio e capaz de fazer os seus próprios negócios”, concluiu.

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