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Trump decide sair do acordo “podre” com o Irão e anuncia sanções “mais poderosas” de sempre

LUDOVIC MARIN/GETTY IMAGES

Nunca escondeu que queria rever o acordo nuclear ou mesmo acabar com ele. Donald Trump considera que o Irão é um país que desestabiliza o Médio Oriente e presta auxílio a milícias terroristas, que por sua vez se envolvem em guerras contra os aliados dos Estados Unidos

Ana França

Ana França

Jornalista

Donald Trump, Presidente dos Estados Unidos, decidiu abanonar o acordo nuclear com o Irão mas deixa no ar a possibilidade de regresso à mesa de negociações: “Vamos trabalhar com os nossos aliados para chegar a uma solução real, abrangente e duradoura para a ameaça nuclear iraniana”, disse, referindo as condições necessárias a que isso aconteça: o acordo terá de visar também o programa de mísseis balísticos do Irão e as suas “atividades” no Médio Oriente. No mesmo discurso, Trump prometeu que as sanções "mais poderosas" de sempre serão impostas contra o regime iraniano e que qualquer outra entidade ou país que permita de alguma forma a continuidade das ambições nucleares do Irão também será alvos de sanções.

"O chamado acordo nuclear com o Irão era suposto proteger os Estados Unidos e os nossos aliados da loucura que seria a existência de uma bomba nuclear iraniana, uma arma que seria perigosa até para o próprio regime iraniano. De facto, o acordo permitiu ao Irão continuar a enriquecer urânio e, daqui a pouco tempo, conseguir chegar perto do ponto em que conseguirá construir uma bomba nuclear", disse Trump.

O presidente dos EUA não poupou críticas ao acordo, que apelidou de “podre e decadente” e não admitiu qualquer evolução na situação nuclear iraniana nos dois anos desde que o Plano Conjunto de Ação entrou em vigor: “É um acordo horrível e unilateral. Não trouxe a paz, não trouxe a calma”.

Apesar de a Agência Internacional de Energia Atómica ter referido várias vezes nos seus relatórios de inspeção que o Irão não está a enriquecer urânio, Trump continua a dizer que não acredita que os compromissos do Irão sejam verdadeiros e que o acordo de 2015 permitiu à República Islâmica “continuar a enriquecer urânio". Na sua opinião, o levantamento das sanções permitiu “à ditadura” continuar a investir no desenvolvimento das suas ambições bélicas:

“O acordo aliviou sanções em troca de limites muito fracos sobre as atividades nucleares e nenhuns sobre outras atividades sinistras patrocinadas pelos iranianos na Síria e no Iémen, por exemplo”, disse Trump. “Este acordo desastroso deu a este regime muitos milhões de dólares, alguns em dinheiro vivo, o que é uma vergonha para mim enquanto cidadão e para todos os cidadãos dos EUA”, acrescentou. “Não vamos permitir que cidades americanas sejam ameaçadas com destruição e não vamos permitir que um regime que pede ‘morte para a América’ tenha acesso às armas mais mortíferas do planeta.”

Já perto do fim da sua declaração, Trump referiu as incipientes negociações com a Coreia do Norte e confirmou que o secretário de Estado Mike Pompeo está de volta ao país para acertar os detalhes das negociações que deverão decorrer em Singapura entre Trump e Kim Jong-un, já em junho - mais uma prova de que esta decisão não foi tomada só a pensar no Irão. No seu tom habitual, de demarcação total com os anos de Barack Obama, Trump disse que “os Estados Unidos já deixaram de fazer ameaças vazias”, até porque, segundo disse, a sua administração tinha avisado já em janeiro deste ano que ou o acordo sofria alterações ou os Estados Unidos se retirariam.

Se o acordo continuar, disse ainda o Presidente dos EUA, em breve “estaremos a assistir a uma corrida ao armamento nuclear no Médio Oriente” porque “os outros países terão de continuar a construir armas para se conseguirem defender de Teerão”.