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Fratura política em Itália: presidente quer nomear governo “neutro”, principais partidos contra

Jonathan Leibson/Getty Images

Falhou o prazo final para as negociações de um novo Governo em Itália. Chefe de Estado considera que marcação de novas eleições será perigoso para o país

Foi a última ronda de negociações com os líderes dos partidos políticos para tentar formar governo e acabar com um impasse que dura há dois meses, depois de não ter sido alcançada uma maioria nas eleições de 4 de março, e teve o mesmo desfecho das anteriores. As forças políticas mais votadas - o Movimento 5 Estrelas (populista antissistema) e a Liga, de extrema-direita, continuam sem conseguir chegar a um acordo e o Presidente italiano, Sergio Mattarella, anunciou já que vai propor um governo “politicamente neutro” para dirigir o país pelo menos até dezembro. “Itália não pode continuar à esperança de uma liderança”, afirmou.

Mattarella não referiu quem irá integrar esse governo, mas sublinhou que os seus líderes não vão poder concorrer às eleições do próximo ano e que irá dissolver este governo caso as forças políticas cheguem a um acordo antes das novas eleições. Um dos nomes apontados para liderar o executivo nomeado pelo Presidente italiano é o de Mario Monti, primeiro-ministro italiano entre 2011 e 2013, segundo alguns observadores.

O Presidente italiano afirmou que convocar eleições antes de 2019 será perigoso para Itália e ameaça a estabilidade financeira do país e por isso pediu aos partidos para apoiarem esta solução pelo menos até que o Orçamento seja aprovado. “No interesse de Itália, espero que as várias forças políticas respondam de forma positiva e assumam as suas responsabilidades”, afirmou aos jornalistas depois da ronda de consultas. Tanto o Movimento 5 Estrelas, liderado por Luigi de Maio, como a Liga, liderada por Matteo Salvini, já se mostraram, contudo, contra um eventual governo de transição e querem voltar às urnas já a partir de julho, conforme afirmaram esta segunda-feira. “Estamos em nova campanha eleitoral a partir de hoje”, escreveu Luigi de Maio numa mensagem partilhada no Facebook. No Twitter, Di Maio afirmou não ter “fé num governo neutro”, que é para si “sinónimo de um governo de tecnocratas”. Matteo Salvini assumiu a mesma posição. “Não há tempo a perder nem há aqui espaço para um governo tecnocrata”, afirmou. Só o Partido Democrático anunciou estar disponível para apoiar a iniciativa.

O governo nomeado pelo Presidente italiano terá de ser aprovado pelo Parlamento. Se houver uma rejeição, “a situação tornar-se-á muito difícil”, sublinha Lina Palmerini, especialista em política do jornal italiano “Il Sole 24 Ore”. O Presidente “não tem margem de manobra”.

Na sexta-feira, e precisamente para evitar a solução que o Presidente italiano agora propôs, o líder da coligação Liga, Matteo Salvini, propôs uma parceria com o Movimento 5 Estrelas (M5S) até dezembro com o objetivo de aprovar o Orçamento do Estado para 2019 e uma nova reforma eleitoral (e evitar assim a paralisação do Governo), mas o líder do M5S, Luigi Di Maio, recusou-se mais uma vez a negociar um apoio a um Governo que inclua a Forza Italia e, em específico, o seu líder, o ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi. Já no domingo, e em declarações à estação de televisão italiana Rai, Luigi Di Maio disse abdicar de ser primeiro-ministro de Itália e propôs a Matteo Salvini que, juntos, escolhessem um candidato a primeiro-ministro. “Se o obstáculo é Luigi Di Maio como primeiro-ministro, então vamos escolher um primeiro-ministro em conjunto”, afirmou, insistindo contudo não estar disponível para formar governo com Berlusconi.

As eleições de março deixaram o país num impasse, depois de nenhuma força política ter conseguido chegar à maioria absoluta. A coligação de direita, formada pela Liga (nacionalista), Forza Italia (centro-direita) e Fratelli d’Italia (extrema-direita), obteve 37% dos votos e o Movimento 5 Estrelas obteve 32,6%. Em terceiro ficou o Partido Democrático, com 19% dos votos, o pior resultado na história do partido.