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Internacional

Presidente da África do Sul regressa a casa para lidar com protestos violentos

GULSHAN KHAN/AFP/Getty Images

Cyril Ramaphosa interrompeu participação na reunião da Commonwealth, em Londres, na sequência da escalada de confrontos de manifestantes com a polícia. Manifestantes exigem a renúncia do primeiro-ministro provincial de North West, membro do ANC, o partido do Presidente do país. Ramaphosa tem agendadas para esta sexta-feira reuniões com líderes do partido na capital provincial

O Presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, interrompeu esta quinta-feira a sua participação na reunião da Commonwealth, em Londres, para lidar com os violentos protestos no seu país. Os confrontos têm decorrido na província de North West, onde os manifestantes exigem emprego, habitação e o fim da corrupção. Lojas foram assaltadas, estradas barricadas e veículos incendiados.

Ramaphosa, que assumiu funções como Presidente em fevereiro, procurou incentivar o investimento na África do Sul durante a sua visita ao Reino Unido. Os protestos irromperam na quarta-feira, quando manifestantes exigiram a renúncia do primeiro-ministro provincial Supra Mahumapelo, membro do Congresso Nacional Africano (ANC), o partido de Ramaphosa.

Segundo o gabinete presidencial, Ramaphosa tem agendadas para esta sexta-feira reuniões com líderes do ANC na capital provincial, Mahikeng. “Para dar atenção à situação [na província de] North West, o Presidente decidiu interromper a sua participação na reunião de chefes de governo da Commonwealh, em Londres, onde lidera uma delegação do executivo”, revela um comunicado.

Mahikeng tem estado no centro dos últimos distúrbios e, na quinta-feira, as ruas na capital provincial foram declaradas desertas após surtos de saques e confrontos com a polícia. Ramaphosa pediu calma e ordenou que a polícia interviesse para conter os protestos. Segundo relatos dos órgãos de comunicação social do país, os agentes usaram gás lacrimogéneo para dispersar manifestantes que incendiaram um autocarro, apedrejaram veículos e bloquearam estradas com pneus em chamas. Nove pessoas foram presas desde quarta-feira, de acordo com informações divulgadas pela polícia.

O gabinete do primeiro-ministro provincial denunciou os protestos como uma tentativa para desacreditar o governante. “É uma campanha política anti-Supra Mahumapelo que visa intimidar os moradores de Mahikeng”, revelou um porta-voz do executivo.

O país vizinho Botswana já anunciou, entretanto, que fechou pontos de saída ao longo da fronteira com a província de North West.