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“Quando sabes que não fizeste nada de errado como é que é suposto reagires?”

Mark Makela/Getty Images

Na primeira entrevista a um órgão de comunicação desde que foram detidos pela polícia num Starbucks em Filadélfia, Rashon Nelson e Donte Robinson apelaram a uma mudança. “É tempo de prestar atenção e entender o que está realmente a acontecer. Queremos participar e ser ouvidos.”

Helena Bento

Helena Bento

Jornalista

Rashon Nelson e Donte Robinson não esperavam ser detidos pela polícia naquele dia 12 de abril enquanto esperavam por um amigo numa das lojas da cadeia Starbucks, em Filadélfia, e mesmo hoje continuam sem saber porque é que aquilo aconteceu. “Quando sabes que não fizeste nada de errado como é que suposto reagires a isso?”, questionou Rashon Nelson numa entrevista à Associated Press, a primeira desde que o vídeo dos dois homens negros a ser detidos pelas autoridades sem razão aparente se tornou viral nas redes sociais.

Foi enquanto aguardavam a chegada de um amigo para uma reunião de trabalho que Rashon Nelson e Donte Robinson viram vários agentes da polícia entrar no Starbucks do bairro de Rittenhouse Square - onde já haviam estado em reuniões anteriores - e caminharem na sua direção. Foram ali chamados pelo gerente da loja que, minutos antes, impedira Rashon Nelson de usar a casa-de-banho uma vez que ele ainda não tinha consumido. O vídeo da detenção, filmado por uma cliente, acabaria por chegar às redes sociais e as críticas começaram a cair em catadupa. Dias depois, a cadeia de cafés Starbucks anunciava que ia fechar oito mil lojas nos EUA durante toda a tarde do dia 29 de maio para uma ação de formação sobre discriminação racial dirigida aos seus funcionários. “Passei alguns dias em Filadélfia com os gerentes das lojas a ouvir a comunidade. Aprendemos que o que fizemos foi errado e quisemos entender qual a melhor forma de reparar o erro”, disse Kevin Johnson, CEO do Starbucks, num comunicado divulgado na altura.

Na entrevista à Associated Press, Rashon Nelson afirmou que enquanto era detido o único pensamento que lhe ocorreu era se chegaria naquele dia vivo a casa. “De cada vez que encontro polícias, é nisso que penso. Nunca se sabe o que pode acontecer.” Apesar das críticas, houve quem tivesse defendido a conduta dos agentes, nomeadamente o comissário Richard Ross, que numa publicação no Facebook disse que os polícias “não fizeram nada de errado”, tendo os dois homens negros, esses sim, “desrespeitado” as autoridades.

Nas redes sociais houve quem tivesse apelado a um boicote ao Starbucks, mas Donte Robinson considera que essa não será a melhor solução, conforme afirmou durante a entrevista. “Precisamos de outro tipo de ação. É tempo de prestar atenção e entender o que está realmente a acontecer. Queremos participar e ser ouvidos.”