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Presidente das Filipinas autorizou pessoalmente investigação a freira australiana

REUTERS/Ezra Acayan/Getty Images

Ezra Acayan

Rodrigo Duterte acusa-a de “conduta desordeira”, alertando que os críticos estrangeiros do seu governo se arriscam a ser deportados. “Tenho-me juntado a manifestações pró-direitos humanos pelos agricultores, pelos seus direitos à terra, e pela libertação de presos políticos. Eu chamaria a isso parte do nosso dever como grupo religioso de apoiar os pobres”, defende-se a irmã Patricia Fox.

O Presidente das Filipinas, Rodrigo Duterte, afirmou ter autorizado pessoalmente uma investigação sobre uma freira australiana detida no início desta semana. A irmã Patricia Fox, de 71 anos, foi detida pelas autoridades de imigração na capital do país, Manila, esta segunda-feira, depois de ser acusada de atividade política que violava o visto que possuía. No dia seguinte, foi libertada sem acusação e negou qualquer irregularidade.

Duterte acusa-a de “conduta desordeira”, alertando que os críticos estrangeiros do seu governo se arriscam a ser deportados. “Insulta-me sob o manto de ser uma dirigente católica e é uma estrangeira. Quem é você? É uma violação de soberania”, afirmou o Presidente numa cerimónia das Forças Armadas, em Manila. “As leis filipinas preveem que eu posso deportá-la ou recusar a sua entrada se for um estrangeiro indesejável”, acrescentou.

A irmã Fox é uma residente de longa data das Filipinas e madre superiora de uma ordem católica local. A sua detenção temporária provocou protestos de apoiantes num país em grande parte católico. As autoridades acusaram a irmã de participar em manifestações partidárias em Midanao, uma ilha no sul do país que está sob lei marcial. No entanto, ela nega que o seu ativismo seja político.

“Tenho-me juntado a manifestações pró-direitos humanos pelos agricultores, pelos seus direitos à terra, e pela libertação de presos políticos. Eu chamaria a isso parte do nosso dever como grupo religioso de apoiar os pobres”, defendeu-se Patricia Fox.

No seu discurso, Duterte sugeriu que a irmã deveria, em vez disso, escrutinar a Austrália. “Sua freira, porque não critica o seu próprio governo, o modo como lidam com os refugiados, famintos e moribundos, e os devolvem ao mar? Não tem o direito de nos criticar. Não insulte o meu país. Nunca fizemos isso à Austrália. Nunca fizemos isso a um país europeu”, retorquiu.

As autoridades australianas forçam a retirada de barcos que procuram asilo no mar quando consideram que a ação é segura, sendo também criticadas por deterem requerentes de asilo em centros no exterior. O governo defende ambas as políticas como parte de uma estratégia de dissuasão que, segundo as autoridades, salva vidas no mar.

A Austrália já criticou Duterte pela guerra do seu governo contra as drogas, que causou a morte de milhares de pessoas.

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