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Internacional

Ladrão de 600 computadores sai da prisão pela janela e foge no avião onde ia a primeira-ministra da Islândia

         

George Frey/GETTY IMAGES

Só mesmo na pequena Islândia, um país com pouco mais de 300 mil habitantes e taxas de crime extremamente baixas

Luís M. Faria

Jornalista

O alegado cérebro do roubo de 600 computadores que faziam mineração de bitcoins na Islândia, um homem chamado Sindri Thor Stefansson, escapou da prisão onde se encontrava saindo pela janela. A seguir, dirigiu-se ao aeroporto e usou uma identidade falsa para embarcar num avião onde também seguia a primeira-ministra do país.

A história parece boa demais para ser verdade, mas pelos vistos aconteceu. Stefansson, que há semana e meia tinha sido transferido para uma prisão de baixa segurança, saiu como quem vai simplesmente beber uns copos. Segundo disse uma socióloga da Universidade da Islândia ao diário britânico "The Guardian", é mesmo disso que geralmente se trata quando alguém foge da cadeia. "Os submundos são minúsculos e é extremamente difícil alguém esconder-se, quanto mais fugir do país", explica Helgi Gunnlaugsson.

Nos últimos tempos, a Islândia tornou-se um grande centro de mineração de bitcoins – um processo que envolve o uso intensivo de computadores para processar os complexos cálculos que a popular moeda virtual envolve. Em dezembro e janeiro, 600 computadores foram levados de dois grandes centros de dados, em quatro ocasiões, no que já foi descrito como o maior roubo de sempre de país.

Um potencial lucro enorme

Avaliados em 1,66 milhões de euros, os aparelhos continuam por descobrir mas o cabecilha já teria sido encontrado e preso, juntamente com outros dez indivíduos igualmente acusados do roubo.

Agora é preciso encontrá-lo outra vez. Se for verdade que seguia no mesmo voo para Estocolmo onde estava a primeira-ministra, a qual se ia encontrar com o seu homólogo indiano, Narendra Modi, a tarefa passa a caber às autoridades suecas, ou às de eventuais outros países onde Stefansson se dirija. Como tudo se passou dentro da zona Schengen, é provável que ele nem tenha tido de mostrar passaporte.

A prisão onde Stefansson se achava fica numa zona rural a 59 quilómetros do aeroporto. As autoridades garantem que a fuga teve um cúmplice. Entretanto, se os 600 computadores continuarem a ser usados para produzir bitcoins e outras moedas virtuais – as quais, pela sua natureza não deixam rasto – isso pode significar um lucro enorme para os criminosos.