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Inicia-se em Cuba o processo de substituição de Raúl Castro

Raúl Castro e o seu sucessor na presidência de Cuba, Miguel Díaz-Canel

Getty Images

Miguel Díaz-Canel, engenheiro eletrónico muitas vezes referido como o Richard Gere cubano, é o esperado sucessor na presidência do país. Sessão para a constituição do novo Parlamento acontece esta quarta-feira, um dia antes do inicialmente previsto

Quando chegou à cúpula do Partido Comunista de Cuba, em 2003, Fidel Castro elogiou o seu “alto sentido de trabalho coletivo”, a sua “exigência com os subordinados”, o “afã de superação” e a sua “sólida firmeza ideológica”. Miguel Díaz-Canel não desiludiu. E fazendo juz ao percurso político iniciado vários anos antes, pautado pela discrição mas também pela eficiência, chegou a ministro da Educação e depois a vice-presidente do Conselho de Ministros, até alcançar o estatuto de possível sucessor de Raúl Castro na presidência do país.

O processo de substituição inicia-se esta quarta-feira, com a realização de uma sessão para a constituição do novo Parlamento. Acontece um dia antes do inicialmente previsto e a apenas dois dias de Díaz-Canel completar 58 anos, mas a decisão do Conselho de Estado de Cuba de antecipar a sessão constitutiva da IX Legislatura da Assembleia Nacional do Poder Popular (única câmara parlamentar) foi justificada pela intenção de “facilitar o desenvolvimento dos passos que requerem uma sessão de tal importância”, indica a agência cubana de notícias (ACN).

Raul Castro, de 86 anos, deixará assim de ser Presidente de Cuba, em cumprimento da limitação de mandatos a um máximo de 10 anos decretada por ele mesmo. Se se confirmar o cenário previsto, o engenheiro eletrónico, muitas vezes referido como o Richard Gere cubano, tornar-se-á (em 60 anos) o primeiro chefe de Estado do país sem o apelido Castro.

Miguel Díaz-Canel faz parte da primeira geração de líderes cubanos nascidos após a revolução. Nasceu em 1960, um ano após a queda de Fulgêncio Batista, tendo ingressado na União de Jovens Comunistas no final da década de 1980. De 1994 a 2003 foi secretário do partido na sua província natal, Villa Clara, fazendo parte do passado o cabelo comprido e o gosto assumido pelos Beatles e pelos Rolling Stones.

Deu nas vistas pelo estilo informal, sendo comum vestir velhas T-shirts com a imagem de Che Guevara, e por preferir circular de bicicleta, sempre disponível para “ouvir as pessoas”, mostrando-se ”sensível aos seus problemas”. Foi também nessa época que tomou medidas irreverentes, como licenciar o bar El Mejunje, conhecido pela ligação ao movimento LGBT de Cuba.

É, no entanto, um defensor da essência do “castrismo”, leal aos princípios inerentes ao regime. Abraham Jiménez, da revista digital “El Estornudo” considera que Díaz-Canel “já deixou claro que não será o homem da mudança”.