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Comparação com Trump enfurece primeira-ministra da Nova Zelândia

FELIPE TRUEBA / Lusa

A observação tinha a ver com imigração. Jacinda Ardern também contesta quem a critica por ir tirar uma licença de maternidade

Luís M. Faria

Jornalista

"Enfureceu-me". É assim que a primeira-ministra da Nova Zelândia, Jacinda Ardern, descreve a sua reação quando o "Wall Street Journal" a comparou com Donald Trump. A comparação foi feita num tweet durante a campanha eleitoral, em setembro do ano passado. Ardern, que lidera o Partido Trabalhista e venceu as eleições, descreve-se normalmente como socialista e progressista. No entanto, ao defender níveis baixos de imigração – cerca de 20, 30 mil entradas por ano – expôs-se a ser comparada com o atual Presidente norte-americano.

"Eis o Justin Trudeau da Nova Zelândia – exceto que ela é mais como Donald Trump na imigração", dizia o tweet, e a primeira-ministra não contém a sua indignação. "Somos um partido que fizemos campanha a favor de duplicar a nossa quota de refugiados", explicou esta terça-feira numa entrevista ao programa "Today", da NBC. "Eu própria sou só uma neo-zelandesa de terceira geração. A sugestão de que a Nova Zelândia não seja um país aberto, virado para fora, a sugestão de que eu esteja a liderar algo contrário a esses valores, deixou-me extremamente zangada".

Ardern acha que as necessidades laborais do país devem ser devidamente tomadas em conta ao aceitar imigrantes (por oposição a refugiados). Chama-lhe uma questão de infraestrutura, e diz que é preciso mais planeamento demográfico.

A maternidade, traição aos eleitores?

Ironicamente, a outro nível, isso tornou-se uma fonte de críticas a ela própria, desde que se soube que ia tirar seis semanas de licença de maternidade quando o seu primeiro filho nascer em junho,

Respondendo a uma colunista que disse que isso não era feminismo mas traição aos eleitores, Ardern disse: "As mulheres desempenham várias tarefas ao mesmo tempo todos os dias. O sentimento nessa peça sugere que as mulheres só podem ser ou mães ou outra coisa. Posso eu ser primeira-ministra e uma mulher? Absolutamente. Absolutamente. Terei ajuda para fazer isso? Sim".

"Anseio pelo dia em que não haja notícias sobre isso por se haver tornado normal, mas para já tenho de aceitar que é assim", concluiu Ardern, que aos 37 anos é a primeira-ministra à escala mundial, em quase duas décadas, a dar à luz. A anterior foi a paquistanesa Benazir Bhutto, em 1990.