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Assembleia Nacional cubana propõe Miguel Díaz-Canel para substituir Raúl Castro

Sven Creutzmann/Mambo Photo/Getty Images

A candidatura de Díaz-Canel ao órgão máximo de governação do país, o Conselho de Estado, será agora submetida à votação da recém-constituída Assembleia, sendo o resultado anunciado esta quinta-feira

Helena Bento

Helena Bento

Jornalista

Já se esperava que Miguel Díaz-Canel, o atual vice-presidente de Cuba, fosse proposto na Assembleia Nacional do Poder Popular como próximo presidente do país, em substituição de Raúl Castro, e foi precisamente isso que aconteceu esta quarta-feira.

A candidatura de Díaz-Canel, de 57 anos, ao órgão máximo de governação do país, o Conselho de Estado, será agora submetida à votação da recém-constituída Assembleia, sendo o resultado anunciado na quinta-feira. Os membros do Conselho de Estado serão eleitos no mesmo dia.

Miguel Díaz-Canel nasceu em Placetas, na província de Villa Clara (norte da ilha), filho de uma professora primária e de um operário mecânico. Formou-se em engenharia eletrotécnica e deu aulas na Universidade Marta Abreu de Las Villas. Alistou-se nas Forças Armadas Revolucionárias assim que terminou o curso e foi enviado em missão à Nicarágua sandinista pela União dos Jovens Comunistas. Foi subindo no partido até se tornar primeiro-secretário em Villa Clara, sua província natal, cargo que ocupou de 1994 a 2003. Durante esses anos, apoiou vários projetos, nomeadamente a criação de um centro cultural onde se organizavam concertos rock e shows de transformismo - era conhecido o fervoroso apreço de Díaz-Canel pelos britânicos Beatles. Em 2009, seria nomeado ministro do Ensino Superior e em 2012 era escolhido para o cargo de vice-presidente do Conselho de Ministros. Um ano depois foi nomeado vice-presidente do Conselho de Estado.

Díaz-Canel é descrito como um homem discreto e pouco conhecido entre os cubanos. “Sabe-se pouco sobre as suas ideias”, disse ao “El País” Nora Gámez Torres, especialista em Cuba que colabora regularmente com o diário “Miami Herald”. Já Jorge Duany, diretor do Instituto de Estudos Cubanos da Universidade Internacional da Florida, descreveu Díaz-Canel como uma “figura intrigante” da qual ninguém sabe o que esperar no que diz respeito às reformas do sistema política cubano. “Ninguém sabe se irá ou não favorecê-las. É uma incógnita.”

Cuba encontra-se numa situação económica difícil e Díaz-Canel será também aí posto à prova para se perceber se será capaz de realizar reformas consideradas necessárias para relançar uma economia estagnada (1,6% em 2017) e muito dependente das importações e da ajuda do seu aliado venezuelano. “Faltam reformas para que o país consiga sustentar uma taxa de crescimento decente e alcance uma nova forma de inserção internacional”, afirmou recentemente ao Expresso Pavel Vidal, economista e antigo funcionário do Banco Central de Cuba.