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Starbucks vai fechar 8000 lojas uma tarde inteira. Motivo: ensinar os empregados que discriminação racial é mau

Alex Wong/Getty

Um gerente de uma loja da cadeia de cafés Starbucks mandou chamar a polícia para que dois homens negros fossem retirados da loja por estarem a "ocupar propriedade privada". Ambos acabaram presos e a internet explodiu de críticas. Como resposta ao incidente, a Starbucks decidiu que vai fechar 8.000 lojas no dia 29 de maio para dar formação a todos os seus funcionários sobre discriminação racial e integração

A cadeia de cafés Starbucks vai fechar 8.000 lojas nos Estados Unidos durante toda a tarde do dia 29 de maio para uma ação de formação que deverá servir para explicar aos funcionários os problemas da discriminação racial. Foi a resposta encontrada pela multinacional para tentar aplacar os milhares de críticas que atingiram a Starbucks depois de dois homens negros terem sido presos numa das lojas da cadeia, em Filadélfia, sem razão aparente. Um vídeo da intervenção policial foi colocado na rede social Twitter e, a partir daí, foi o caos. Segundo o jornal Philadelphia Inquirer os dois homens estariam à espera de uma pessoa para uma reunião de negócios e ainda não teriam pedido uma bebida quando um deles pediu para ir à casa-de-banho, coisa que lhe foi recusada. O gerente da loja chamou então a polícia que enviou seis agentes para o local. O comissário da polícia explicou ao mesmo jornal a justificação que tinha recebido do gerente: “Não autorizamos clientes que não consomem produtos na nossa loja a utilizar a casa-de-banho”, contou. Quando lhes foi pedido que se retirassem e eles recusaram foram então acusados de "ocupação de propriedade alheia".

“Passei alguns dias em Filadélfia com os gerentes das lojas a ouvir a comunidade. Aprendemos que o que fizemos foi errado e quisemos entender qual a melhor forma de reparar o erro”, disse Kevin Johnson, CEO do Starbucks, em comunicado esta terça-feira. Johnson fez questão de ir pedir desculpa ao homem que foi levado pelas autoridades e o empregado que chamou a polícia foi despedido. “O problema não está cingido ao Starbucks mas queremos ser parte da solução. Fechar as nossas lojas para uma ação de formação sobre os problemas da discriminação com base na raça é apenas um passo num caminho que exige dedicação de todos os níveis da hierarquia e mais parcerias com as nossas comunidades locais”, acrescentou.

Cerca de 8000 lojas vão estar envolvidas na iniciativa que deverá chegar a quase 175 mil colaboradores. O programa deverá focar-se em temas como discriminação implícita, inclusão social e prevenção de discriminação racial.O Starbucks vai trabalhar com Bryan Stevenson, fundador da Iniciativa pela Igualdade na Justiça, Sherrilyn Ifill, presidente do Fundo para a Educação e Defesa Legal Legal e Jonathan Greenblatt, CEO da Liga Anti-Difamação the Anti-Defamation League to create this program.