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Aécio Neves constituído arguido na Operação Lava Jato

Aécio Neves perto da urna de voto

Reuters

Aécio Neves, senador do partido do Movimento Democrático Brasileiro, foi constituído arguido esta terça-feira. Está acusado dos crimes de corrupção passiva e obstrução de justiça no âmbito da Operação Lava Jato

Se esta tarde estava em risco de poder vir a sentar-se no banco dos réus, agora é certo que Aécio Neves será mesmo levado ao Supremo Tribunal Federal, dez meses depois de ter sido acusado pela Procuradoria-Geral da República de corrupção e obstrução à operação Lava Jato. Os juízes Marco Aurélio (relator do inquérito), Alexandre de Moraes (presidente do coletivo), Luís Roberto Barroso, Rosa Weber e Luiz Fux concluíram, por unanimidade, que existem indícios de prática criminosa, declarando Aécio Neves arguido. O senador e ex-candidato presidencial do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) vai ser trazido à Justiça no caso desencadeado pelas gravações feitas pelo empresário Joesley Batista em maio de 2017 e que também incluíram o presidente Michel Temer, do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB).

O senador tucano (nome pelo qual são conhecidos os militantes do PSDB) foi gravado a pedir 2 milhões de reais (cerca de €472 mil) em notas a Joesley Batista, dono da JBS, o maior grupo de carnes do Brasil. Deste processo constam ainda as filmagens do primo do senador a receber malas de dinheiro, além dos extratos de operações bancárias suspeitas da campanha eleitoral de 2014 que a Procuradoria-Geral da República mandou esta semana anexar ao processo.

A irmã, Andrea Neves, o primo Frederico Medeiros e o assessor Mendherson Lima foram entretanto presos no âmbito do processo, por não beneficiarem da prerrogativa de função (foro privilegiado). Aécio, neto do antigo Presidente Tancredo Neves, foi na altura suspenso de funções no Senado pelo Supremo Tribunal Federal, mas dias depois foi readmitido pelos seus pares da câmara alta do Parlamento.

A verificar-se a acusação, o senador, também ex-governador de Minas Gerais, tornar-se-à na primeira figura de relevo dos tucanos a ser julgado no âmbito da Lava Jato. O processo entra agora na fase de instrução. Mas a participação do senador do PSDB nas eleições deste ano dificilmente será impedida pela Lei da Ficha Limpa: a norma não impede a participação de arguidos, apenas de condenados.