Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Embaixador de Portugal regressa a Moscovo. “Entendemos que já há condições para isso”

ANTÓNIO COTRIM

Governo português, ao contrário de muitos Estados europeus, optou por não expulsar diplomatas russos mas chamou a Lisboa o embaixador Paulo Vizeu Pinheiro

O Governo português decidiu que o embaixador na Rússia, chamado a Lisboa para consultas na sequência do 'caso Skripal', vai regressar a Moscovo ainda esta semana e "tão cedo quanto possível", anunciou esta segunda-feira o ministro dos Negócios Estrangeiros.

"Nós neste momento entendemos que já há condições para o regresso do nosso embaixador a Moscovo e isso far-se-á tão cedo quanto possível, agora é uma questão meramente prática", indicou Augusto Santos Silva aos jornalistas, à margem de uma reunião de chefes de diplomacia da União Europeia, no Luxemburgo.

O ministro apontou que o embaixador Paulo Vizeu Pinheiro regressará ainda esta semana, provavelmente esta terça-feira à noite, a Moscovo, para onde já regressou também o embaixador da União Europeia, que fora igualmente chamado pela chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini.

O regresso a Moscovo do embaixador da União Europeia foi de resto a primeira justificação de Santos Silva para fundamentar a "decisão política" do Governo português. "O ponto é: tendo já regressado a Moscovo o embaixador da União Europeia, e indo discutir nós próprios (UE) o nosso relacionamento com a Rússia, do ponto de vista do Governo português estão criadas as condições para que regresse a Moscovo o nosso embaixador na Rússia, o que ele fará na primeira oportunidade prática".

Augusto Santos Silva indicou que no Conselho de Negócios Estrangeiros da UE que decorre esta segunda-feira no Luxemburgo haverá ainda, da parte da tarde, uma sessão sobre a Rússia, na qual será feita "uma revisão dos cinco pontos que orientam o relacionamento dos países europeus com a Rússia", a segunda razão pela qual considera que estão criadas as condições do regresso do embaixador português a Moscovo.

"Nós tomámos uma medida, como aliás vários outros Estados-membros. Aliás, tomámos a mesma medida que tomou a UE como tal: chamar para consultas o nosso embaixador em Moscovo", referiu Santos Silva.

"Essa medida tem dois objetivos essenciais: em primeiro lugar, tomar uma medida de reação face a atos que consideramos hostis, e em segundo lugar analisar com o nosso próprio embaixador as condições em que se deve agora desenvolver o relacionamento político diplomático a esse nível entre Portugal e a Rússia. Os dois objetivos estão cumpridos, o embaixador regressa para realizar o seu trabalho", sublinhou.

O Governo português chamou, a 27 de março, o embaixador português em Moscovo, Paulo Vizeu Pinheiro, na sequência do ataque com um gás neurotóxico ao ex-espião russo Serguei Skripal em Salisbury (Reino Unido), pelo qual Londres responsabilizou a Rússia.

Também a chefe da diplomacia da UE, Federica Mogherini, chamou o representante dos 28 em Moscovo, mas quase todos os países do bloco europeu - à exceção de Portugal e outros cinco Estados - optaram por expulsar diplomatas russos.

O envenenamento do ex-espião duplo e da sua filha, em solo britânico, provocou uma das piores crises nas relações entre a Rússia e o ocidente desde a guerra fria e conduziu a uma vaga histórica de expulsões recíprocas de diplomatas.

Londres acusa Moscovo de envolvimento neste envenenamento através da utilização de um agente neurotóxico, enquanto a Rússia desmente as acusações e denuncia uma "provocação" e uma "campanha antirrussa".