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EUA acusam Rússia de tentar adulterar provas de ataques químicos na Síria, russos negam

EPA

Há suspeitas de que os russos possam estar a impedir a missão da ONU que visa investigar o que realmente aconteceu em Douma, na Síria, no dia 7 de abril quando mais de 50 pessoas morreram devido a um alegado ataque do governo sírio com armas químicas

Ana França

Ana França

Jornalista

Os Estados Unidos acusaram esta segunda-feira a Rússia de estar a tentar interferir com a investigação da Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ) que foi enviada para a Síria mas que ainda não teve autorização para entrar em Douma, a cidade nos arredores da capital Damasco que terá sido alvo de um ataque com um agente químico. Vários países ocidentais acreditam que esse ataque, no qual mais de 50 pessoas morreram e 500 ficaram feridas, pode ter sido lançado pelos militares leais ao Presidente sírio Bashar al-Assad com o apoio da Rússia, coisa que a Rússia negou de imediato. Moscovo culpa os ataques lançados no sábado de madrugada contra instalações militares sírias pelo atraso na entrada dos investigadores. Numa entrevista ao programa “Hardtalk” da BBC Internacional, o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergey Lavrov, também negou as acusações. “Posso garantir que não há qualquer interferência russa [em Douma]”, disse o ministro.

As preocupações com o acesso à zona afetada surgiram quando o representante dos Estados Unidos na OPAQ acusou a Rússia de poder estar a tentar adulterar o sítio onde o ataque terá ocorrido antes da chegada dos investigadores. “Já é mais que tempo de condenarmos, neste conselho, o governo sírio pelo seu reinado de terror químico e de exigirmos responsabilização internacional para aqueles responsáveis por esses atos hediondos” disse o embaixador norte-americano Kenneth Ward na OPAQ. “É nosso entendimento que os russos podem ter visitado o local do ataque e estamos preocupados com a possibilidade que tenham manipulado o local com a intenção de impedir os esforços da missão de investigação da Opaq de conduzir um inquérito efetivo”, acrescentou.

O chefe da missão da OPAQ também não dissipou as suspeitas. No fim da reunião de emergência com os representantes dos vários países, Ahmet Üzümcü disse que a sua equipa ainda não tinha conseguido entrar em Douma. “Os representantes da Síria e da Rússia que participaram na reunião de preparação da missão ao local disseram-nos que ainda havia algumas questões de segurança que tinham de ser resolvidas antes de podermos enviar a equipa”, disse Üzümcü, diretor geral da organização. Üzümcü acrescentou que, enquanto esperam as autorizações necessárias, o governo sírio “se disponibilizou para levar 22 testemunhas até à equipa para que pudessem ser entrevistadas”.

O vice-ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergei Ryabkov, disse esta segunda-feira que a missão ainda não estava em Douma porque ainda não tinha tido as autorizações necessárias do Departamento de Segurança e Salvaguarda da ONU mas pouco depois um porta-voz desse mesmo departamento disse o contrário: a equipa de nove elementos destacada para ir investigar o que de facto se passou em Douma a 7 de abril estava na posse de todas as autorizações e documentos necessários para entrar na cidade. O vice-embaixador da Rússia na ONU, Dmitry Polyanskiy, disse que tinha sido apenas um mal-entendido e que Ryabkov tinha sido citado erradamente na comunicação social. Na rede social Twitter, Polyanskiy deu o seu contributo para a tese de que os atrasos se devem ao ataque de sábado. “Todos os obstáculos que a missão possa encontrar poderão ser culpa da ação agressiva dos US-UK-FR”, uma referência aos países que participaram no ataque: Estados Unidos, Reino Unido e França.

Mais sanções?

O aumento de sanções económicas à Rússia pode em breve tornar-se uma realidade e os Estados Unidos já estarão a preparar medidas de “aumentar a pressão sobre a Rússia”, escreve a agência de notícias Reuters esta segunda-feira, num artigo em que também fica claro que a Europa pode alinhar em medidas semelhantes.

A embaixadora dos Estados Unidos para as Nações Unidas pode anunciar esse novo pacote em breve, segundo disse a própria ao programa da CBS “Face The Nation” no domingo à noite. “[Essas sanções] irão atingir diretamente as empresas que transacionem equipamento relacionado com Assad e com o seu uso de armas químicas”, disse Nikky Haley.

Se forem aprovadas, este será o quarto pacote de medidas punitivas contra o Kremlin em cerca de quatro semanas. Em março, a Administração Trump impôs sanções a pessoas e empresas suspeitas de terem tentado influenciar as eleições presidenciais de 2016. Já em abril, Trump desenhou mais medidas de forma a atingir “no bolso” o núcleo duro de Vladimir Putin, formado em grande parte por homens de negócios e representantes importantes do seu governo.