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Colômbia. Detenção de ex-líder das FARC pode ameaçar ou consolidar processo de paz

Anadolu Agency/GETTY

Alguns analistas consideram que a detenção de Jesús Santrich poderá reforçar a confiança no processo de paz. A prisão do antigo dirigente está a aumentar o clima de desconfiança entre antigos guerrilheiros das FARC e membros do novo partido Força Alternativa Revolucionária do Comum

A detenção na semana passada de Jesús Santrich, um dos ex-líderes dos rebeldes das FARC, pode ameaçar o processo de paz na Colômbia. Os dois lados já admitiram isso. Tanto antigos membros do grupo rebelde, como o Presidente Juan Manuel Santos. Mas há também quem acredite que poderá consolidar o processo de paz no país.

“Isso depende da forma como as instituições políticas e os líderes políticos vão agir. Se depois de amanhã [Jesús Santrich] for rapidamente extraditado... isso conduzirá a uma consolidação do acordo de paz”, defendeu Jorge Restrepo, diretor do Instituto de Análise de Conflitos CERAC, citado pela Al-Jazeera.

Esta situação mostra que os “acordos de paz não constituem um pacto de impunidade – contrariamente ao que os mais radicais opositores pretendem”, sustentou por sua vez Yann Basset, analista da Universidade do Rosário, em Bogotá.

Em causa está o facto de Jesús Santrich ter alegadamente exportado dez toneladas de cocaína para Miami no verão de 2017, depois de as FARC terem assinado um acordo de paz com o Governo colombiano em 2016, que pôs fim a mais de meio século de conflito.

O chefe de Estado da Colômbia já garantiu que não hesitará em extraditar o antigo membro do grupo rebelde e atual membro do partido Força Alternativa Revolucionária do Comum, que deveria assumir em julho um lugar no Congresso até 2022. “No caso de existirem provas irrefutáveis será, obviamente, extraditado”, declarou Juan Manuel Santos.

A detenção de Jesús Santrich vem também aumentar o clima de desconfiança entre antigos guerrilheiros das FARC e membros da Força Alternativa Revolucionária do Comum. “Não percebo como isto pode acontecer. Esta situação causa grandes problemas ao processo de paz e à organização política”, disse o antigo vice-presidente Francisco Santos Calderon.

Segundo o partido das antigas FARC, a detenção do ex-líder da organização tem como objetivo limitar o direito à defesa e enviar o caso diretamente para os Estados Unidos. “Trata-se de um plano orquestrado pelo Governo dos EUA com o aval das autoridades colombianas que ameaça estender-se a todos os ex-guerrilheiros com o objetivo de decapitar a direção política do nosso partido”, afirmou Iván Márquez, um dirigente da Força Alternativa Revolucionária do Comum, ao jornal “El País”.

Foi no passado dia 9 de abril que Jesús Santrich, de 51 anos, foi detido na sua casa em Bogotá, na sequência de um mandato de captura da Interpol, após uma decisão de um juiz de Nova Iorque.

  • Ex-guerrilheiro das FARC preso por tráfico de droga

    Jesús Santrich foi um dos negociadores da paz assinada com o governo da Colômbia em 2016. Antigo grupo rebelde, agora partido político, fala em “montagem” que gera “uma grande desconfiança” sobre todos os antigos guerrilheiros