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Internacional

Rússia classifica ataque como "ato de agressão" e avisa que haverá "consequências"

Vladimir Putin na sede de campanha em Moscovo, depois de serem conhecidos os primeiros resultados das eleições presidenciais de 18 de março

REUTERS

Presidente Vladimir Putin considera que a ofensiva lançada esta madrugada sobre a Síria por EUA, França e Reino Unido não tem enquadramento legal. O ataque é classificado como uma ameaça direta a Moscovo.

O Presidente russo, Vladimir Putin, afirmou hoje que os ataques à Síria foram realizados sem qualquer enquadramento legal e constituem um "ato de agressão contra um estado soberano".

Os ataques com mísseis foram realizados "sem a aprovação do Conselho de Segurança da ONU, em violação da Carta das Nações Unidas e de normas e princípios do direito internacional" e constituem "um ato de agressão contra um Estado soberano que está na vanguarda da luta contra o terrorismo", refere Putin em comunicado.

Moscovo insiste que não existiu qualquer ataque com armas químicas por parte de Damasco e acusou os EUA, a França e o Reino Unido de tentarem procurar uma desculpa para executarem a ofensiva desta madrugada.

"Especialistas militares russos que visitaram a cena deste incidente imaginário não encontraram evidências de uso de cloro ou outras substâncias tóxicas, e nenhum morador local confirmou um ataque químico", adianta Putin no comunicado.

Segundo o líder russo, o Ocidente tem "mostrado um desprezo" pela Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ), que deveria começar os seus trabalhos de verificação no local este sábado, ao optar por "uma ação militar sem esperar pelos resultados da investigação".

"Através das suas ações, os Estados Unidos agravaram a crise humanitária na Síria, trazem sofrimento para a população civil, favorecem os terroristas que assolam há sete anos o povo sírio e causam uma nova onda de refugiados", considerou ainda a Rússia.

Os Estados Unidos da América, a França e o Reino Unido realizaram hoje uma série de ataques com mísseis contra alvos associados à produção de armamento químico na Síria, em resposta a um alegado ataque com armas químicas na cidade de Douma, Ghuta Oriental, por parte do Governo de Bashar al-Assad.

Segundo o Pentágono, a ofensiva consistiu em três ataques, com uma centena de mísseis, contra instalações utilizadas para produzir e armazenar armas químicas, informou o Pentágono.

O embaixador russo nos EUA já tinha classificado o ataque como uma ameaça direta a Moscovo e um insulto "inaceitável e inadmissível" ao presidente Vladimir Putin, que terá "consequências".

"Estamos a ser ameaçados. Avisamos que estas ações não serão deixadas sem consequências", avisou o embaixador Anatoly Antonov.

Também o primeiro vice-presidente do Comité de Defesa da Duma, o Congresso russo, já considerara esta ofensiva como uma ameaça direta à Rússia, comparando Trump a Hitler.