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Os principais atores do conflito na Síria

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A guerra na Síria começou em março de 2011 com a repressão de manifestações pró-democráticas e tornou-se mais complexa com o envolvimento de grupos 'jihadistas', poderes regionais e internacionais

A guerra na Síria começou em março de 2011 com a repressão de manifestações pró-democráticas e tornou-se mais complexa com o envolvimento de grupos 'jihadistas', poderes regionais e internacionais.
Os EUA, a França e o Reino Unido realizaram hoje uma série de ataques com mísseis contra alvos associados à produção de armamento químico na Síria, em resposta a um alegado ataque com armas químicas na cidade de Douma, Ghouta Oriental, por parte do Governo de Bashar al-Assad.
O conflito sírio provocou mais de 350.000 mortos e milhões de sírios foram forçados a abandonar um país governado por mão de ferro pela família Assad desde há mais de 40 anos, provocando um êxodo em massa que não se verificava desde a II Guerra Mundial.
Milhares de famílias sírias foram reinstaladas em vários países europeus, entre os quais Portugal, que lhes concedeu proteção internacional.
A operação militar conjunta de Estados Unidos, França e Reino Unido realizada hoje consistiu numa série de ataques com mísseis contra alvos associados à produção de armamento químico na Síria, em resposta a um alegado ataque com armas químicas na cidade de Douma, Ghouta Oriental, por parte do Governo de Bashar al-Assad.
A ação militar de hoje não só abre uma nova etapa no conflito na Síria como acentua a crise entre a Rússia e o Ocidente, que, desde a queda da União Soviética em 1991, teve muitas tensões.

Exército da Síria: Tinha 300.000 elementos nas fileiras em 2011, mas, até ao presente, mais de metade dos militares morreram. As unidades militares governamentais são apoiadas por 150.000 a 200.000 milicianos pró-regime, incluindo sírios, iraquianos, iranianos e afegãos. Além disso, 5.000 a 8.000 combatentes libaneses do Hezbollah luta pelo regime de Bashar al-Assad.

Rússia: Aliado da Síria, intervém na guerra desde setembro de 2015 e a implicação russa permitiu às tropas governamentais recuperar muitas zonas consideradas chave, como a cidade de Alepo e, mais recentemente, o enclave de Ghouta Oriental. O regime de Al-Assad controla agora mais de 56% do território.

Exército Sírio Livre: No início do conflito, os rebeldes reagruparam-se sob a égide do Exército Sírio Livre, com cerca de 100.000 combatentes. As unidades, que integravam civis e desertores do exército do regime de Damasco, foram dando lugar a múltiplas facões de rebeldes sem filiação religiosa a grupos islâmicos.
Atualmente, o número de combatentes é menor face aos ataques infligidos pelo exército de Damasco.

Forças 'jihadistas': As duas principais forças 'jihadistas' rivais são o Estado Islâmico (EI) e o grupo Hayat Tahrir al-Cham. O EI conquistou vastas regiões na Síria e no vizinho Iraque, antes de proclamar "um califado", em 2014. Com as múltiplas ofensivas do regime de Bashar al-Assad e da coligação árabe-curda, apoiada pelos Estados Unidos, o EI perdeu terreno, também aquela que era considerada a capital do "califado", Raqa. De acordo com o Observatório Sírio para os Direitos Humanos, apenas 5% do território sério está sob controlo de combatentes do EI. Hayat Tahrir al-Cham ainda controla a maior parte da província de Idleb, atualmente palco de guerras internas entre 'jihadistas' e rebeldes.

Curdos Reprimidos ao longo de décadas, os curdos aproveitaram a retirada do exército sírio para estabelecer uma administração semiautónoma no norte da Síria, nos territórios sob seu controlo. Proclamaram uma "região federal" e realizaram as primeiras eleições em setembro. As Unidades de Proteção do Povo (PGR), principal milícia armada, formam o núcleo duro das Forças Democráticas da Síria (SDF), também compostas de combatentes árabes e apoiadas pela coligação internacional liderada pelos Estados Unidos, que combatem o EI na Síria. Desde janeiro, a milícia enfrenta uma ofensiva da Turquia, que já reconquistou o enclave curdo de Afrine no noroeste e ameaça continuar seu avanço para outros territórios no leste. O YPG controla 28% do território sírio, onde cerca de 15% da população vive.

Alianças A Turquia, a Arábia Saudita e o Qatar apoiam o regime de Bashar al-Assad desde o início do conflito. Atualmente, Riade e Doha são marginalizados e Ancara estabeleceu uma aliança inédita com Moscovo.
Com a Turquia, Moscovo e Teerão conseguiram estabelecer "zonas de desescalada" na Síria, especialmente em Idleb, sem interromper completamente os combates.
No lado militar, a Turquia apoia os deputados sírios, engajados contra os 'jihadistas', mas também contra combatentes curdos, e mobilizou tropas no norte da Síria desde 2016.

Coligação: Apoiada por Washington, uma coligação de mais de 60 países, entre os quais a França e a Grã-Bretanha, realizou ataques aéreos contra as posições do EI em 2014. Cerca de 2.000 militares norte-americanos foram colocados no norte da Síria, essencialmente forças especiais para combater o EI e treinar as forças locais