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Internacional

Guterres está “desapontado com o Conselho de Segurança” da ONU

EDUARDO MUNOZ/ reuters

As Nações Unidas ainda não foram capazes de “confirmar independentemente” se morreram civis ou não no ataque de sexta-feira à noite na Síria. “É necessário evitar que a situação fique fora de controlo”

“Um rosário de horrores: crimes atrozes, cercos, fome, ataques indiscriminados contra civis e infraestruturas, uso de armas químicas, deslocação, violência sexual, tortura, detenções e desaparecimentos.” António Guterres está desapontado com o Conselho de Segurança, que “falhou” no conflito que hoje representa a “maior ameaça à paz e segurança internacional”.

“Repetidamente expressei o meu desapontamento com Conselho de Segurança, que falhou em acordar um mecanismo de responsabilidade efetiva para o uso de armas químicas na Síria.” Este sábado, durante a reunião de emergência das Nações Unidas, Guterres exigiu que o Conselho “assuma as responsabilidades”. “Vou continuar a pedir aos Estados-membros que me ajudem a cumprir este objetivo.”

O secretário-geral defendeu ainda que o uso de qualquer arma química é “abominável” e que causa um “sofrimento hediondo”, tendo apelado à união dos membros do Conselho de Segurança, que “tem a responsabilidade primária de manter a paz”.

Apesar das garantias já dadas pelos Estados Unidos e pela Rússia, as Nações Unidas, neste momento, não podem assegurar que não morreram civis nos bombardeamentos de sexta-feira à noite. “Não fomos capazes de confirmar independente esta informação.”

“Exijo que todos os Estados-membros mostrem contenção nestas perigosas circunstâncias e que evitem qualquer ato que possa aumentar a tensão e piorar o sofrimento da população da Síria. Tal como já disse, é necessário evitar que a situação fique fora de controlo.”

Equipa da ONU na Síria a investigar

Guterres anunciou que já se encontra na Síria uma equipa das Nações Unidas para investigar o uso de armas químicas no país. “As alegações recentes em Douma precisam de ser analisadas através de especialistas imparciais, independentes e profissionais. Estou confiante de que seremos bem-sucedidos, sem qualquer restrição ou impedimento nas nossas operações”, justificou.

Durante a intervenção, apontou ainda o dedo àqueles que fornecem as armas químicas para os ataques e que, na ausência de assunção de responsabilidades, continuam a fazê-lo sem serem punidos.

“Com esta conjuntura crítica, peço que todos os membros ajam consistentemente de acordo com a Carta das Nações Unidas e as leis internacionais, incluindo as normas contra o uso de armas químicas. Se a lei for ignorada, será prejudicial”, disse. “Não existe uma solução militar para esta crise. A solução tem de ser política.”