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Internacional

Estados Unidos, França e Reino Unido bombardeiam a Síria

Chip Somodevilla/Getty Images

Retaliação concertada entre forças aliadas pretende punir Bashar al-Assad por ataques químicos mortíferos. "Isto não são ações de um homem", disse Donald Trump, "mas crimes de um monstro"

Os Estados Unidos, o Reino Unido e a França iniciaram esta sexta feira ataques contra alvos na Síria. A informação foi revelada pelo próprio Presidente norte-americano, Donald Trump, que justificou os bombardeamentos como sendo retaliações contra Bashar al-Assad, depois dos ataques com armas químicas em Damasco que, no fim de semana passada, mataram mais de 40 pessoas.

"Meus companheiros americanos, há pouco ordenei as forças armadas norte-americanas para que lançassem ataques de precisão a alvos associados às capacidades de armamento químico do ditador sírio Bashar al-Assad".

Assim iniciou Trump um discurso televisivo feito a partir da Casa Branca, em que o Presidente americano qualificou os ataques químicos como sendo ações não de um homem, "mas de um monstro". Os Estados Unidos responsabilizam diretamente Assad pelos ataques.

O presidente americano garantiu que estão a ser usadas "armas de precisão", com o objetivo de impedir a produção, dispersão e utilização de armas químicas. "Estamos preparados para manter esta resposta até que o regime sírio pare de usar agentes químicos proibidos", afirmou.

Ao mesmo tempo que Trump falava eram ouvidas explosões em Damasco, segundo um correspondente da France Press no local.

Donald Trump exortou Moscovo a abandonar o apoio a Assad e afirmou que a Rússia "traiu as suas promessas" sobre a eliminação de armas químicas.

Reino Unido aliado contra Assad
"Esta noite, autorizei as forças armadas britânicas a conduzir ataques direcionados e coordenados para degradar a capacidade de armas químicas do regime sírio e travar a sua utilização", comunicou a primeira-ministra britânica, Theresa May, já depois da declaração de Donald Trump. "Estamos a actuar em conjunto com os nossos aliados americanos e franceses".

"O regime sírio tem uma história de utilização de armas químicas contra o seu próprio povo da forma mais cruel e abominável", acrescentou May. O ataque químico de sábado passado, "em circunstâncias de terror", não pois deve surpreender ninguém. "Este padrão de comportamente deve ser parado".

May argumenta que todos canais diplomáticos foram utilizados, sem sucesso. "Ainda esta semana os russos vetaram uma resolução do Conselho de Segurança da ONU que teria estabelecido uma investigação independente ao ataque de Douma".

"Por isso não há uma alternativa praticável ao uso de força para degradar e travar a utilização de armas químicas pelo regime sírio", justificou. "Isto não é uma intervenção na guerra civil", clarificou, "não é sobre uma mudança de regime. É sobre um ataque direcionado e limitado que não fará escalar as tensões na região e que fará tudo o possível para evitar vítimas civis".

No comunicado, May salienta que a velocidade com que esta ação está a ser implementada é essencial para aliviar sofrimento humano subsequente e para manter a segurança das operações.

Na sua primeira decisão como primeira-ministra que envolve forças armadas britânicas em combate, May justifica tê-lo feito por interesse nacional do seu país. "Não podemos permitir que a utilização de armas químicas seja normalizada - na Síria, nas ruas do Reino Unido ou em qualquer outra parte do mundo". A história mostra "que a comunidade internacional tem de defender as regras e principios globais que nos mantêm todos a salvo. Foi isso que o nosso país sempre fez. E que continuará a fazer".

Macron contra a banalização do mal
Também o Presidente francês, Emmanuel Macron, veio confirmar ter ordenado as forças armadas a intervir na Síria. "Não podemos tolerar a banalização do uso das armas químicas", salientou em comunicado.

No documento, Macron assinala que o ataque "está circunscrito às operações do regime sírio que permitem a produção e utilização de armas químicas". O líder francês explicou que o parlamento do seu país será informado da ofensiva e será aberto um debate parlamentar, como estipula a Constituição francesa.

A agência estatal síria SANA assegurou hoje que as forças de defesa aérea do país "estão a fazer frente" ao ataque dos EUA, França e Reino Unido contra a Síria.