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Aliados ouviram EUA, Reino Unido e França e concordam que não era possível ficar de braços cruzados

YVES HERMAN / Reuters

Secretário-geral da NATO defende que a intervenção da última noite na Síria “não resolve todos os problemas” mas diminuiu a capacidade de Bashar al-Assad conduzir novos ataques com armas químicas. O Conselho do Atlântico Norte ouviu e compreendeos argumentos de EUA, Reino Unido e França

O momento é de grande tensão, que pode levar a um escalar do conflito na Síria, mas para o secretário-geral da NATO, a comunidade internacional não podia ficar de braços-cruzados, face ao "uso bárbaro" de armas químicas contra civis.

Apesar da ameaça Rússia de que "haverá consequências", Jens Stoltenberg surge confiante de que a situação não ficará ainda pior e acredita que a intervenção militar desta madrugada "não" atrapalhará ainda mais as tentativas para se alcançar a uma solução pacífica negociada na Síria.

"Pelo contrário, penso que se tivéssemos ficado em silêncio e aceitado o uso de armas químicas, isso iria pôr em causa os esforços de uma solução política", disse Jens Stoltenberg, confrontado pelos jornalistas com as consequências da intervenção dos Estados Unidos, Reino Unido e França na Síria.

"Não existe uma solução militar para o conflito na Síria", reconheceu o norueguês. "Mas ao mesmo tempo, acho que seria perigoso se a comunidade internacional aceitasse o uso de armas químicas e, por isso, apoiamos as ações levadas a cabo na última noite, que foram muito proporcionadas e dirigidas a alvos específicos, e instalações de armas químicas", contrapôs, reafirmando ainda o apoio dos Aliados ao trabalho liderado pelas Nações Unidas no sentido de se alcançar uma solução política para o conflito.

Durante a tarde, os embaixadores dos vários estados-membros junto da Aliança Atlântica ouviram os homólogos francês, norte-americano e britânico. "Deram-nos conta de informação significativa que indica que o regime sírio foi responsável pelo ataque contra civis, em Douma, a 7 de abril", explicou Stoltenberg no final do encontro. "Os três Aliados enfatizaram que não havia alternativa ao uso da força", acrescentou.

Os Aliados saem assim convencidos da necessidade do ataque. Stoltenberg diz que todos estão ao lado dos Estados Unidos, França e Reino Unido, e compreendem a intervenção militar depois de se terem "esgotado todas vias alternativas para se resolver este problema". O secretário-geral aponta assim o dedo ao veto constante da Rússia, no Conselho de Segurança das Nações Unidas, às várias iniciativas para que houvesse uma investigação independente ao uso de armas químicas na Síria.

"Os ataques da última noite diminuíram a capacidade de a Síria conduzir novos ataques", defendeu Stoltenberg. Para o secretário-geral da NATO, foi também enviada uma "mensagem clara" e dissuasora a Bashar al-Assad. "Claro que nunca teremos uma total garantia de que não haverá mais ataques enquanto houver regimes ou intervenientes dispostos a usar armas químicas".

"Não estou a dizer que os ataques da última noite resolveram todos os problemas, mas comparados à alternativa de não fazer nada, esta foi a coisa acertada", concluiu Stoltenberg, justificando que o uso de armas químicas não pode ficar impune.

Este sábado, os Aliados voltaram ainda reiterar o compromisso com a Coligação Internacional para derrotar o Daesh - o autoproclamado Estado Islâmico - na qual a NATO participa, não com intervenção militar ou de homens no terreno, mas com aviões (AWAC) de vigilância e recolha de informação.