Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Secretária permanente da Academia Sueca demite-se na sequência de escândalo sexual

JONAS EKSTROMER

Sara Danius abandona o órgão que atribui o Prémio Nobel da Literatura. A Academia tem sido criticada pela forma como está a lidar com uma investigação sobre a alegada conduta sexual imprópria de um homem casado com um dos seus membros

A secretária permanente da Academia Sueca, o órgão que atribui o Prémio Nobel da Literatura, Sara Danius, demitiu-se esta quinta-feira na sequência de um escândalo de abuso sexual. A organização tem sido criticada pela forma como está a lidar com uma investigação sobre a alegada conduta sexual imprópria de um homem casado com um dos membros da Academia.

Ao demitir-se, Danius disse que o caso “já afetou severamente o Prémio Nobel e isso é um grande problema”. “O desejo da Academia era que eu abandonasse as minhas funções como secretária permanente. Tomei esta decisão com efeitos imediatos”, acrescentou.

Em novembro do ano passado, 18 mulheres fizeram alegações de agressão sexual e assédio contra Jean-Claude Arnault, marido de Katarina Frostenson, que integra a Academia. Depois de o órgão ter votado contra o afastamento de Frostenson na semana passada, três dos seus membros afastaram-se em protesto.

Embora os membros não possam tecnicamente demitir-se, podem deixar de participar nas atividades da Academia.

Pouco depois de as alegações surgirem, o comité do Nobel cortou todos os laços e financiamento com Arnault, que administra um clube cultural em Estocolmo. A Academia Sueca disse que quebrara as suas próprias regras de conflito de interesses e nomeou uma empresa legal para investigar as ligações dos seus membros com Arnault. Através do seu advogado, Arnault fez saber que rejeita todas as acusações contra ele.

Nenhuma das alegações de má conduta sexual foi denunciada à polícia quando o escândalo rebentou no ano passado. No entanto, promotores públicos abriram uma investigação preliminar sobre os incidentes.

No mês passado, algumas partes da investigação foram arquivadas por falta de provas, mas os promotores garantiram que a investigação continuava.