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Internacional

Guarda que partiu dois dentes a um passageiro da United Airlines quer ser indemnizado

Gary Hershorn / Getty Images

Diz que durante o seu treino nunca lhe deram formação sobre o nível de violência a usar numa situação do género

Luís M. Faria

Jornalista

Um dos seguranças que retiraram à força um homem de um voo da United Airlines, provocando um escândalo internacional que afetou a imagem da companhia, processou agora esta última, bem como a cidade de Chicago. Alega que jamais lhe forneceram treino sobre os níveis de força a utilizar numa situação daquelas, e que o seu despedimento foi injusto.

O caso aconteceu em abril do ano passado, no aeroporto O'Hare, em Chicago. David Dao, um médico americano-vietnamita de 69 anos, já se encontrava no seu lugar (que tinha reservado e pago em devido tempo) quando foi abordado por um funcionário que lhe exigiu que saísse. A companhia tinha uma regra que permitia arranjar lugares à ultima hora para pessoal da companhia – no caso, tripulantes de outros voos – mesmo que o voo estivesse cheio e fosse preciso retirar passageiros.

Como Dao recusou sair, foram chamados seguranças que o levaram à força, arrastando-o pelo chão e partindo-lhe o nariz, bem como dois dentes da frente. A cena foi filmada por outros passageiros, e a brutalidade nela mostrada gerou uma crise de relações públicas que obrigou a United Airlines a alterar a sua política em situações do género.

"O contínuo de força"

A companhia também pediu desculpa a Dao, indemnizando-o num montante acordado que nunca se chegou a saber publicamente, mas deve ter sido substancial.

Entretanto, os quatro seguranças envolvidos no caso foram suspensos. Um deles chamava-se James Long. Em agosto, foi despedido. Alega agora que, embora tenha feito um curso de recruta policial de cinco meses, jamais o instruíram sobre "o nível do contínuo de força" adequado.

O Departamento de Aviação de Chicago, o outro réu no processo, é acusado de negligência por não lhe ter ensinado sobre como lidar com uma "situação em escalada" como a de abril de 2017. Ainda por cima, diz, a comissária do departamento difamou-o em declarações que fez nos media. Assim, Long pede os ordenados em atraso e outras contribuições. E também quer ser indemnizado.