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Trump: “Um ataque à Síria pode acontecer em breve...ou não”

MLADEN ANTONOV/GETTY

Depois de prometer uma resposta militar ao último ataque com armas químicas na Síria, o líder dos EUA, diz num tweet que “nunca deu uma data para o ataque” e que este “pode acontecer em breve ou não tão brevemente de todo”

Ana França

Ana França

Jornalista

Depois de prometer um ataque com mísseis "bons, novos e inteligentes", Donald Trump, Presidente dos Estados Unidos, disse esta manhã de quinta-feira que, afinal, o ataque pode não acontecer assim tão cedo – ou, então, suceder-se a qualquer momento.

Um dia depois de ter deixado meio mundo com a respiração suspensa na iminência de um confronto direto entre os Estados Unidos e a Rússia sobre os céus da Síria, lançando um "prepara-te Rússia" na sua conta na rede social Twitter, o Presidente parece agora retrair-se um pouco e fala da ingratidão demonstrada pelos países da região perante o esforço dos EUA na luta contra o autoproclamado Estado Islâmico (Daesh).

“Nunca disse quando é que um ataque na Síria poderia acontecer. Pode ser muito brevemente ou não tão brevemente de todo! De qualquer forma, durante a minha administração, os EUA fizeram um excelente trabalho ao livrar a região do Estado Islâmico. Onde é que está o nosso ‘Obrigado, América?'”, escreveu.

Ao jornal "Politico", Michael Carpenter, um antigo conselheiro em questões russas de Barack Obama, disse que "Putin com certeza irá ver isto como um teste de forças, não há qualquer dúvida disso". Na quarta-feira, depois de prometer os tais mísseis sobre posições russas e pró-Bashar al-Assad na Síria, Trump disse que as relações entre a Rússia e os Estados Unidos "estão piores agora do que algum dia estiveram, e isso incluiu os tempos da Guerra Fria" acusando ainda o Kremlin de apoiar "um animal que usa gas para matar a sua própria população e diverte-se com isso".

Trump referia-se ao Presidente sírio Bashar al-Assad, que mais uma vez é acusado de ordenar um ataque com armas químicas sobre a população de rebeldes na zona de Douma, em Ghouta Oriental, perto da capital Damasco.

Não há ainda confirmação de que este ataque tenha mesmo sido conduzido por militares leais a Al-Assad mas é nisso que acreditam Donald Trump e vários outros membros da NATO, como o Reino Unido, cujo Governo esta quinta-feira se encontra reunido para discutir precisamente um eventual ataque às posições pró-regime na Síria.

A abertura da época de hostilidades entre a Rússia e os Estados Unidos é uma espécie de reviravolta na trama, já que Donald Trump acusou, em 2016, a sua oponente nas eleições presidenciais, Hillary Clinton, de ter uma posição demasiado dura com a Rússia e de que isso iria acabar por levar um mundo a uma terceira Guerra Mundial.

Nos seus ataques recentes à Rússia, Trump nunca fala diretamente do Presidente russo e este fez o mesmo na quarta-feira. Limpando a retórica de menções diretas. Vladimir Putin disse apenas que "a situação do mundo está a tornar-se mais caótica", mas que "o bom senso ainda pode prevalecer e as relações internacionais ainda podem entrar numa rota construtiva".