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Sessenta “Lulas” surgem no Parlamento brasileiro

NELSON ALMEIDA / AFP / Getty Images

Em protesto contra a prisão de Lula da Silva, a bancada do PT pediu para acrescentar “Lula” aos nome dos parlamentares. Os presidentes das duas câmaras do Parlamento brasileiro ainda não se pronunciaram, mas já há também pedidos para incluir os nomes de Moro e de Bolsonaro

Sessenta deputados do Partido dos Trabalhadores (PT) pediram para incluir “Lula” no seu nome parlamentar. “Solicito a alteração nos registos desta Casa, inclusive no painel eletrónico do plenário, a alteração do meu nome parlamentar de Gleisi Hoffmann para Gleisi Lula Hoffmann”, lê-se no ofício que a presidente do PT enviou esta quarta-feira ao presidente do Senado, Eunício Oliveira, a que o Expresso teve acesso.

Os pedidos foram apresentados esta terça e quarta-feira aos presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado, Rodrigo Maia e Eunício Oliveira, respetivamente, que ainda não tomaram qualquer decisão.

Em reação, políticos favoráveis à prisão de Lula da Silva, como o deputado Sóstenes Cavalcante, do DEM, copiaram a ideia e pediram para incluir o apelido do juiz Sérgio Moro (que determinou a prisão do ex-Presidente brasileiro) e passar a ser conhecido como ‘Sóstenes Moro Cavalcante’”.

“Sou contra a mudança de nomes, mas se pode de um lado também pode do outro. Se o candidato deles é o Lula, o meu é o Bolsonaro [o candidato presidencial da extrema-direita]”, afirmou por seu lado o deputado do Partido da República, João Augusto Rosa, conhecido por Capitão Augusto, pelo facto de ser também polícia militar, citado pela “Folha de São Paulo”.

A sugestão da mudança do PT foi do deputado Leo de Brito e insere-se no programa de protestos organizado pelo partido contra a prisão do ex-Presidente Lula da Silva, que está detido desde sábado à noite na sede da Polícia Federal, em Curitiba.

As cartas da presidente (à esq.) e do líder de bancada do Partido dos Trabalhadores enviadas à direção das duas câmaras do Parlamento, a pedir o acrescento “Lula” no seus nomes parlamentares

As cartas da presidente (à esq.) e do líder de bancada do Partido dos Trabalhadores enviadas à direção das duas câmaras do Parlamento, a pedir o acrescento “Lula” no seus nomes parlamentares

Lula é "preso político"

“Ao incorporarmos Lula em nossos nomes parlamentares, vamos contribuir para denunciar aos brasileiros e ao mundo a injustiça cometida contra Lula, que se tornou um preso político na semidemocracia que estamos vivendo. Nossa democracia está sim sendo ultrajada por procuradores e juízes, que agem impunemente à margem da Constituição e das leis”, afirmou Leo de Brito, citado num comunicado oficial do PT.

A alteração dos nomes parlamentares será estendida a todos as assembleias, incluindo as estaduais e municipais, onde existam painéis eletrónicos de votação, acrescentou um porta-voz do PT.

A direção do partido divulgou, entretanto, que o PT tem a maior bancada parlamentar desde esta quarta-feira, devido às mudanças efetuadas ao abrigo da chamada “janela partidária”. Na passada sexta-feira, dia 6, terminou o prazo legal de 30 dias para que deputados federais e estaduais possam mudar de partido sem perder o mandato por infidelidade à organização pela qual foram eleitos.

A legislação brasileira permite inclusivamente que um deputado se declare independente, mantendo todos os privilégios, ou que até que forme um partido, como aconteceu em novembro de 2015 com o Partido das Mulheres, por exemplo. Um levantamento feito pelo site G1 dá conta que pelo menos 80 dos 513 deputados federais aproveitaram a “janela partidária” deste ano para mudar de partido.

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