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Expresso

Internacional

Rússia diz que há risco de guerra com EUA se Washington lançar ataque

Os EUA têm o apoio de França e Reino Unido para que a comunidade internacional responda na Síria, “para defender a proibição mundial do uso de armas químicas”

Omar Sanadiki/ reuters

Embaixador russo insta os EUA e respetivos aliados a não utilizarem a força contra a Síria

"Não podemos excluir nenhuma possibilidade, lamentavelmente, porque temos visto mensagens saídas de Washington que são muito belicosas", disse esta quinta-feira Vassily Nebenzia, embaixador da Rússia na ONU, dirigindo-se aos jornalistas na sede da organização.

Segundo o diplomata russo, a "prioridade imediata é evitar o perigo de guerra", pelo que instou Estados Unidos e seus aliados a não utilizarem a força contra a Síria, acusada de ter utilizado armas químicas. "As ameaças são uma violação à Carta das Nações Unidas", afirmou, acrescentando que uma intervenção militar do Ocidente seria "muito perigosa", uma vez que "os militares russos estão lá", a convite das autoridades sírias, salientou.

O diplomata russo indicou que o país pediu uma reunião pública do Conselho de Segurança das Nações Unidas sobre a Síria, com a presença do secretário-geral da ONU, António Guterres. Ele deverá intervir "num futuro próximo", afirmou Vassily Nebenzia. Na terça-feira, três resoluções relacionadas com o presumível ataque químico sírio foram rejeitadas pelo Conselho de Segurança. Uma das resoluções foi apresentada pelos Estados Unidos e os outros dois textos foram propostos pela Rússia.

Mais de 40 pessoas morreram no sábado num ataque contra a cidade rebelde de Douma, em Ghouta Oriental, que segundo organizações não-governamentais no terreno foi realizado com armas químicas. A oposição síria e vários países acusam o regime de Bashar al-Assad da autoria do ataque, mas Damasco nega e o seu principal aliado, a Rússia, afirmou que peritos russos que se deslocaram ao local não encontraram "nenhum vestígio" de substâncias químicas.

Citando informações fornecidas por organizações de saúde locais em Douma, a Organização Mundial de Saúde (OMS) indicou na quarta-feira que "cerca de 500 pessoas procuraram centros de atendimento exibindo sintomas de exposição a elementos químicos e tóxicos".