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Internacional

Protestos com cadáveres na República Centro-Africana são “propaganda”, diz ONU

Manifestantes protestam com cadáveres à frente da missão da ONU no país

FLORENT VERGNES

Manifestantes alegam que cadáveres são de civis inocentes mortos em confrontos entre tropas das Nações Unidas e grupos armados. Missão da ONU no país diz que eram criminosos armados que atiraram sobre as forças de manutenção de paz e soldados do governo

Manifestantes colocaram esta quarta-feira 17 cadáveres à frente da Missão Multidimensional Integrada das Nações Unidas para a Estabilização da República Centro-Africana (MINUSCA), exigindo o fim da violência no país. Um porta-voz das Nações Unidas disse à BBC que os corpos estão a ser usados como “propaganda” para mostrar que a ONU “matou civis”.

Concentrados à frente da sede da missão das Nações Unidas na capital Bangui, os manifestantes disseram que os cadáveres são de civis inocentes mortos em confrontos entre tropas da ONU e grupos armados. O porta-voz Vladimir Monteiro afirmou, no entanto, que eram criminosos armados que atiravam sobre as forças de manutenção de paz e soldados do governo.

“Eles atiraram sobre nós e nós respondemos. Os corpos resultaram desses confrontos”, disse o porta-voz, acrescentando: “condenamos o facto de algumas pessoas estarem a usar cadáveres para uma espécie de propaganda”.

No domingo, tropas da ONU iniciaram uma operação para desarmar uma auto-denominada milícia muçulmana de vigilantes no bairro PK5 da capital. Vladimir Monteiro afirmou que a operação era para continuar, apesar dos protestos.

Em nota divulgada na terça-feira, a MINUSCA condenou “veementemente este novo ataque hediondo contra as forças internacionais de manutenção de paz na República Centro-Africana”. A missão da ONU no país reiterou ainda que “quaisquer ataques contra forças de manutenção de paz podem equivaler a um crime de guerra e que os autores de tais crimes seriam levados à justiça”.

A República Centro-Africana mergulhou em turbulência em 2013, quando rebeldes muçulmanos tomaram o poder no país de maioria cristã. Um grupo de milícias, na sua maioria cristãs, formou-se para combater os muçulmanos.

Um novo governo eleito em 2016 não conseguiu trazer a paz à antiga colónia francesa.