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Internacional

Organização contra armas químicas confirma uso de novichok em Salisbury

GEOFF CADDICK

Relatório da OPAQ, que foi prémio Nobel da Paz em 2013, verificou que o envenenamento do espião Sergei Skripal e da sua filha Yulia foi realizado com novichok, químico tóxico que só a Rússia produz. Governo britânico já exigiu explicações a Moscovo

Pedro Cordeiro

Pedro Cordeiro

Editor da Secção Internacional

O Reino Unido tem razão quanto ao gás nervoso usado para envenenar o agente duplo russo Sergei Skripal e a sua filha Yulia, afirmou hoje a Organização para a Proibição das Armas Químicas (OPAQ). O Governo britânico afirmou pouco depois do ataque, ocorrido a 4 de março em Salisbury (Inglaterra), que ambos tinham sido vítimas de novichok, um produto químico potente, de fabrico militar russo.

Um relatório publicado hoje e entregue ontem a Londres pela OPAQ, sedeada em Haia (Holanda) e que colabora com as Nacções Unidas, confirma o que os laboratórios britânicos apuraram sobre “a identidade do químico tóxico”, embora sem nomear o novichok, e frisa a sua “grande pureza”. Note-se que corroborar a substância detetada não implica, da parte da OPAQ, acompanhar a acusação britânica de que foi o Governo de Vladimir Putin que ordenou a tentativa de assassínio, rapidamente desmentida por Moscovo.

A organização, que recebeu o prémio Nobel da Paz em 2013, exclui as acusações feitas pelo regime russo de que o Reino Unido manipulara provas para culpar o Kremlin. Mas é improvável que a Rússia aceite estas conclusões, visto que na semana passada anunciou que “aceitaria os resultados da investigação da OPAQ ao envenenamento de Salisbury apenas se os peritos russos participassem nela”.

Yulia não quer ajuda russa

A equipa do OPAQ estudou “amostras de sangue dos três indivíduos afetados”, explica o documento, referindo-se aos Skripal e ao polícia Nick Bailey, que esteve internado até 22 de março. Sergei ainda está hospitalizado, embora já não em estado crítico. Yulia teve alta na terça-feira e, explicando ainda estar gravemente doente, tal como o pai, rejeitou as ofertas de assistência da embaixada russa em Londres.

O ministro dos Negócios Estrangeiros do Reino Unido lembrou, após a divulgação do relatório, que “só a Rússia tem os meios, o motivo e o currículo” de fabrico do novichok. Foi do Governo britânico a decisão de tornar o documento público. “O Kremlin tem de dar respostas”, exige Boris Johnson. “A utilização de armas deste tipo nunca pode ser justificada e tem de acabar.”