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Internacional

Soldados de Myanmar condenados a 10 anos de prisão por morte de rohingya

Refugiados rohingya em campo do Bangladesh

Anadolu Agency

Quatro oficiais e três não-oficiais foram considerados culpados num tribunal militar da antiga Birmânia pela sua participação nas mortes na aldeia de Inn Din. Mais de 650 mil pessoas da minoria étnica muçulmana fugiram para o Bangladesh desde que a violência irrompeu no estado de Rakhine em agosto do ano passado, com histórias de assassínios em massa, violações e tortura

Sete soldados de Myanmar foram condenados a 10 anos de prisão pelo envolvimento na morte de 10 muçulmanos rohingya no ano passado. Em comunicado, o Exército da antiga Birmânia acrescentou que a pena inclui trabalhos forçados pelo contributo e participação nos assassínios.

Em janeiro, o Exército admitiu pela primeira vez que os seus soldados estavam envolvidos nas matanças. Myanmar tem sido acusada de limpeza étnica no estado de Rakhine.

Quatro oficiais e três não-oficiais foram considerados culpados num tribunal militar pela sua participação nas mortes na aldeia de Inn Din, de acordo com o comunicado publicado na página do Exército no Facebook.

As mortes estavam a ser investigadas por dois jornalistas da agência de notícias Reuters que foram posteriormente presos e ainda continuam detidos. Esta quarta-feira, um tribunal em Myanmar rejeitou um pedido para dispensar o caso contra os jornalistas Wa Lone e Kyaw Soe Oo.

Mais de 650 mil rohingya fugiram para o Bangladesh desde que a violência irrompeu no estado de Rakhine, em agosto do ano passado, com histórias de assassínios em massa, violações e tortura. Eles acusam os militares, apoiados por grupos budistas locais, de queimarem as suas aldeias e de atacarem e matarem civis. Os militares de Myanmar negam ter atingido civis e insistem que lutam apenas contra militantes rohingya.

Após meses de resistência, Myanmar aceitou abrir as portas a uma delegação do Conselho de Segurança das Nações Unidas. Não é claro, porém, se as autoridades de Rangum irão permitir que os embaixadores se desloquem ao estado de Rakhine, onde vive o que resta da minoria muçulmana, após oito meses de perseguição e repressão militar, que forçaram milhares a fugirem do país.

Os rohingya são uma minoria étnica muçulmana que nunca teve direitos nem cidadania reconhecidos por Myanmar.